Geração alpha e os desafios para os empreendedores e gestores

Geração alpha e os desafios para os empreendedores e gestores

Lachlan de Crespigny*

25 de setembro de 2020 | 04h00

Lachlan de Crespigny. FOTO: DIVULGAÇÃO

A geração alpha, nascida a partir de 2010, em um mundo 100% digital, marcará nos próximos anos um grande desafio para os empreendedores e gestores. O que despertará a atenção dos alphas em um emprego? Como gerenciar estes futuros jovens que estarão no mercado de trabalho em busca de colocação e que demandam comportamentos diferentes dos recrutadores e líderes respectivos?

Em termos de desenvolvimento e interesse profissional, a principal mudança desta geração com relação às anteriores – Z e Y – é o fato de que estamos diante de um fenômeno que demandará empresas e companhias em um ritmo moderno e cada vez mais rápido, principalmente na retenção de talentos de equipe, contratação inteligente com uso da tecnologia, e metodologias ágeis e squads de trabalho, extinguindo a conexão retrógrada e ultrapassada.

O que muda no jovem alpha para o jovem millennials, em termos de conhecimento – em vista que são duas gerações que nasceram em meio à tecnologia? Os millennials, também conhecidos como a geração Y e nascidos entre 1979 e 1995, não são tão nativos na tecnologia. Eles viveram um momento de mudanças, da era analógica para a digital, e ainda foram muito impactados por aspectos históricos. Já os alpha têm na tecnologia quase uma extensão da sua vida. Provavelmente, eles estarão mais preparados para lidar com as mudanças rápidas que o cenário de transformação digital traz e poderão ser mais adaptáveis às novas profissões que estão surgindo.

Os que fizerem parte dessa primeira geração a conviver em um ambiente 100% digital, acabarão tendo uma visão de mercado muito diferente, além de lidarem melhor com a quantidade de informações por segundo. Hoje, já vemos jovens ingressando no mercado que estão muito mais ligados aos valores e visões de uma empresa do que necessariamente a um plano de carreira, estabilidade e remuneração, e isso é uma tendência. Aspectos como benefícios e formas de contratação com pouca flexibilidade acabam ficando em segundo plano nesse cenário. Investir em especializações, dentro da companhia, certificações e cursos de qualificação para estes profissionais podem ser medidas estratégicas para as empresas reterem os seus colaboradores, satisfeitos, e contribuindo para o negócio de forma eficaz.

Levando em consideração os principais desafios para atrair, contratar e gerenciar esses jovens, precisamos entender o que é importante para essa nova geração. As companhias devem passar por um momento de transformação nos processos seletivos para encontrar pessoas que tenham fit cultural com elas.

Podemos afirmar que, como características natas, a geração alpha é mais antenada, curiosa e mais facilmente adaptável. Observando as movimentações de mercado, percebemos que essa nova geração quer ser conhecida por suas habilidades, e não apenas pelo que consta no currículo. Empresas que tenham valores e posicionamentos parecidos serão as preferidas desses jovens. O caminho é oferecer e investir em processos seletivos que vão além do básico. Ampliar para o uso de Bots e inteligência artificial para impactar e extrair o melhor das skills de cada profissional.

E o que dizer sobre o futuro? A tendência é que estes jovens sejam ainda mais críticos com os ideais das empresas em que trabalharão. Provavelmente, eles não gostarão de ver e conviver com empresas que tenham processos seletivos enviesados. Daqui para frente, o mercado de trabalho tem que ser mais aberto, e as companhias com velhos hábitos e sem perspectivas de mudança não estarão entre as preferidas desses candidatos às vagas no futuro.

Acredito que os profissionais do futuro irão migrar de emprego até 5 vezes mais do que os atuais, e pensando nisso, a Revelo vislumbra este mercado com bons olhos e busca estar lá como apoio de carreira tanto para os profissionais, quanto para as empresas.

*Lachlan de Crespigny, cofundador da Revelo

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