Genu, ex-assessor do PP, é preso na Lava Jato

Genu, ex-assessor do PP, é preso na Lava Jato

João Cláudio Genu, que chegou a ser condenado no mensalão, foi detido preventivamente na manhã desta segunda, 23, alvo da Operação Repescagem por crimes na Petrobrás

Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

23 de maio de 2016 | 08h01

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João Claudio Genu. Foto: Estadão

O ex-assessor do PP João Cláudio Genu – réu no mensalão – foi preso na manhã desta segunda-feira, 23, em Brasília, alvo da 29 fase da Operação Lava Jato.

Batizada de Operação Repescagem, Genu é o alvo principal da Polícia Federal. O ex-assessor do PP foi preso em um hospital, quando estava acompanhando uma pessoa. Ele é suspeito de ser um dos beneficiários ligados ao Partido Progressista no esquema de distribuição de propinas da Petrobrás na Diretoria de Abastecimento.

De acordo com a representação da Polícia Federal e o parecer do Ministério Público Federal (MPF) que embasaram a decisão da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, os colaboradores Alberto Youssef, Carlos Rocha e Fernando Baiano apontaram Genu como um dos beneficiários da propina por intermédio do recebimento de valores em espécie, que eram repassados a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal. Além disso, Genu seria o beneficiário de até 5% da propina que era paga em razão dos contratos firmados com a Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

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Como provas de corroboração desses depoimentos, foram apresentados registros de entrada no escritório de Youssef, anotações com o nome de Genu e de outra pessoa que o ajudava no recolhimento de propinas na contabilidade informal de Youssef e do Posto da Torre de Brasília, compras de bens com dinheiro em espécie, além de inúmeras mensagens de comunicações instantâneas de celular que comprovam os recebimentos.

O decreto é de prisão preventiva, sem prazo de duração. Segundo a decisão do juiz federal Sergio Moro, “João Cláudio de Carvalho Genu teria recebido propinas e participado de forma relevante no esquema criminoso da Petrobras ao mesmo tempo em que estava sendo processado criminalmente perante o Egrégio Supremo Tribunal Federal por crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro no âmbito da Ação Penal 470”.

Genu chegou a ser processado no Mensalão pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva pelo saque em espécie de R$ 1.100.000,00 da conta SMP&B de Marcos Valério, destinado aos parlamentares do Partido Progressista. Condenado pelos crimes no primeiro julgamento, o ex-assessor da Câmara acabou se livrando de qualquer punição, pois a condenação por corrupção passiva teve a punibilidade extinta pela prescrição, enquanto a condenação por lavagem de dinheiro foi revista pelo STF em sede de recurso de embargos infringentes.

Além da prisão preventiva do ex-assessor da Câmara, foi decretada a prisão temporária de um empresário suspeito de pagar propina a Paulo Roberto Costa e Genu para a obtenção de um contrato para a construção de um terminal no Rio Amazonas. Também são alvos das medidas realizadas hoje outras pessoas identificadas como emissárias que atuavam dentro do esquema.

Na Operação Lava Jato, Genu já havia sido alvo de busca e apreensão na Operação Politeia, determinada pelo Supremo Tribunal Federal a pedido da Procuradoria-Geral da República em julho de 2015.