Geddel na Papuda

Geddel na Papuda

Ex-ministro de Temer foi preso nesta segunda-feira, 3, sob acusação de tentar obstruir a Operação Lava Jato

Fausto Macedo

04 Julho 2017 | 15h44

Geddel Vieira Lima. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (Governo Temer) foi transferido na tarde desta terça-feira, 4, da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para a penitenciária da Papuda, também na capital. Geddel foi preso nesta segunda-feira, 4, sob acusação de tentar obstruir a Operação Lava Jato.

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A custódia é de caráter preventivo e tem como fundamento elementos reunidos a partir de informações fornecidas em depoimentos recentes do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, do empresário Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva, sendo os dois últimos, em acordo de colaboração premiada.

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No pedido enviado à Justiça, os procuradores afirmaram que Geddel tem agido para atrapalhar as investigações. O objetivo de Geddel seria evitar que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o próprio Lúcio Funaro firmem acordo de colaboração com o Ministério Público Federal. Para isso, segundo os investigadores, tem atuado no sentido de assegurar que ambos recebam vantagens indevidas, além de ‘monitorar’ o comportamento do doleiro para constrangê-lo a não fechar o acordo.

“Decerto, diante da ausência de relevantes informações para sua decisão, inexplicavelmente não relatadas na representação policial, a autoridade judiciária infelizmente laborou em erro. Dessa forma, acabou por não considerar que, desde o momento em que o Senhor Geddel Vieira Lima se viu injustamente enredado no bojo da “Operação Cui Bono”, colocou-se à disposição das autoridades constituídas, para apresentar os documentos que lhe fossem solicitados, assim como comparecer a todos os chamados que eventualmente lhe fossem formulados, inclusive abrindo mão dos seus sigilos bancário e fiscal, assim como do seu passaporte”, afirma o advogado de Geddel.

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A defesa do ex-ministro ainda reiterou ‘incompreensão’ com a prisão preventiva de Geddel, classificada pelos advogados como ‘absolutamente desnecessária’. Os advogados sustentam ainda que ‘Joesley Batista foi enérgico em pontuar que jamais pagou propina (ou qualquer tipo de vantagem indevida) ao Senhor Geddel Vieira Lima’.

“Sabedor da sua inocência e confiante na altivez do Poder Judiciário, o Senhor Geddel Vieira Lima segue inabalável na reparação do cerceamento às suas liberdades fundamentais, registrando que, estando custodiado, deposita sua integridade física nas mãos da autoridade policial”, alega o advogado Gamil Föppel.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO GAMIL FÖPPEL, DEFENSOR DE GEDDEL

“Diante dos frágeis documentos que alegadamente serviram de embasamento para decretação da prisão preventiva, a defesa técnica do senhor Geddel Vieira Lima vem reiterar a desnecessidade da gravosa medida cautelar.

Com efeito, a representação formulada pela autoridade policial se limitou a exercício de infundadas conjecturas, sem elementos concretos que pudessem lastrear as suas suposições, o que apenas evidencia a fragorosa falta dos pressupostos e requisitos autorizadores da prisão preventiva.

Salienta-se, inclusive, que não foi produzido absolutamente nenhum elemento de prova novo, no bojo da denominada ‘Operação Cui Bono’, após os quase sete meses desde a sua deflagração.

Nesse sentido, o senhor Geddel Vieira Lima impugnará a decisão através das instâncias ordinárias, com a serenidade daqueles que clamam pela Justiça.”

Salvador/BA, 4 de julho de 2017.

Gamil Föppel

OAB-Ba 17.828