Geddel, Cunha e Joesley são indiciados na Cui Bono?

PF conclui inquérito da operação deflagrada em janeiro de 2017 que apura irregularidades em empréstimos da Caixa

Fabio Serapião/BRASÍLIA

08 Junho 2018 | 23h51

Ao concluir o inquérito da Operação Cui Bono?, a Polícia Federal indiciou 15 pessoas, entre elas o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB), o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), o corretor Lúcio Funaro, o ex-vice-presidente da Caixa Fabio Cleto e os empresários Joesley Batista, do Grupo J&F, Henrique Constantino, da Gol, e Marcos Molina, da Marfrig.

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A lista dos indiciados foi revelada pelo Jornal Nacional, da TV Globo, e confirmada pelo Estado.

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Deflagrada em 13 de janeiro de 2017, a Cui Bono? investiga se Geddel, vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa entre 2011 e 2013, cobrava propina para liberar empréstimos. Os investigadores suspeitam que o emedebista fornecia informações privilegiadas para Cunha, Funaro e Cleto.

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Segundo a PF, foram identificados crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa, formação de quadrilha e obstrução à investigação de crime praticado por organização criminosa.

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No pedido que deu origem à operação, o procurador Anselmo Lopes disse que mensagens encontradas no celular de Cunha apontavam a solicitação de propina a empresas interessadas em empréstimos da Caixa. “Os diálogos não deixam dúvidas de que Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha buscavam contrapartidas indevidas nas diversas empresas, visando à liberação de créditos que estavam sob a gestão da vice-presidência de Geddel”, disse Lopes.

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Em uma das mensagens, de 30 de julho de 2012, Geddel diz a Cunha que o “voto sai hj’ – sobre um empréstimo a Marfrig. No outro dia, Geddel envia novamente a Cunha informações sobre aprovações de crédito da Marfrig. Após informar que o voto foi favorável a duas operações da empresa, de R$ 300 milhões e R$ 50 milhões, Geddel sinaliza que estava feito o que lhe cabia. “Opinião de voto: favorável. Já foi, agora é vc”, diz.

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COM A PALAVRA, A DEFESA DE LÚCIO FUNARO

O advogado de Funaro, Bruno Espiñeira, afirmou que ele segue colaborando “de modo efetivo com as autoridades, respeitando na íntegra todas as cláusulas do seu acordo”.

COM A PALAVRA, MARCOS MOLINA, DA MARFRIG

“No dia 15 de maio de 2018, o empresário Marcos Molina dos Santos firmou com o Ministério Público Federal um termo de compromisso de reparação de eventuais danos relacionados às investigações da Operação Cui Bono?. Não se trata de um acordo de colaboração ou de delação e não há admissão de qualquer culpa por parte do empresário, que mantém suas atividades empresariais inalteradas. O termo já foi homologado judicialmente e hoje produz plenos efeitos. O relatório da Polícia Federal não altera a situação jurídica de Marcos Molina dos Santos.”

Procurados, os outros indiciados não responderam até a publicação deste texto. O espaço está aberto para manifestações.