Garreta diz que intermediou pagamentos da OAS a ex-diretor da Petros

Garreta diz que intermediou pagamentos da OAS a ex-diretor da Petros

Marqueteiro de campanhas afirma não ter recebido para si ou para o PT pagamentos da empreiteira, que teria financiado, via caixa dois, campanhas para políticos peruanos

Luiz Vassallo

18 de setembro de 2019 | 06h00

Reprodução

O marqueteiro de campanhas Valdemir Garreta negou ao juiz Luiz Antonio Bonat, em interrogatório, nesta segunda, 16, ter recebido dinheiro de contratos da OAS para a construção da Torre de Pituba, sede da Petrobrás em Salvador. Ele diz que a empreiteira o pagou pelas campanhas de políticos peruanos, como o ex-presidente Holanta Humala, e que intermediou tratativas entre o ex-presidente da Construtora Léo Pinheiro, e o ex-presidente Luiz Carlos Afonso Fernandes. Garreta diz ainda ter atuado como uma espécie de intermediário de pagamentos da OAS para um ex-presidente da Petros.

Ele foi preso no âmbito da Operação Sem Limites, 56ª fase da Lava Jato, em novembro de 2018, que mira desvios e fraudes na construção da Torre de Pituba, sede da Petrobrás em Salvador. Segundo a acusação, propinas de contratos desta obra teriam sido destinadas ao PT, a ex-dirigentes da Petrobrás e da Petros – Fundo de Previdência da Petrobrás.

De acordo com Valdemir Garreta, seu contato com a OAS se deu muito antes da Torre de Pituba, por ser prestador de serviços de comunicação à empreiteira. “Eu vou ter a partir de 2011, 2012, 2013 e 2014 um contato diário com Dr. Léo por conta da prestação de serviços OAS e Invepar” – empresa gestora de concessões de rodovias e trasporte sobre trilhos que tinha a empreiteira, a Petros e o Funcef como acionistas.

De acordo com Garreta, o empreiteiro queria evitar a saída de Luiz Carlos da Petros com pagamentos vinculados à Torre de Pituba. “No meio dessa conversa, na empresa, olhamos a possibilidade de fazer uma ajuda pra você pra quando você sair da Petros ter algum recurso para começar sua nova vida em Portugal, já que você está querendo ir embora. Tem um projeto que estamos começando na Petros, um prédio na Bahia, a gente separou uma ajuda, um valor da obra para ajudar para ter um fundo para quando você sair daí”.

O então presidente da Petros teria indicado que os valores fossem pagos por meio de contas no exterior. No entanto, segundo Garreta, executivos da OAS afirmaram que parte do dinheiro só poderia ser repassada em espécie. Ele diz ter intermediado os repasses para Luiz Carlos, indicando como intermediário William Chaim, militante do PT apontado pelas investigações como intermediário do partido.

“Eu fiz isso porque eram dois clientes meus, amigos, eu tava ajudando e tinha perspectiva de minha empresa crescer. tanto dentro da OAS quanto da Invepar, o que de fato aconteceu”, diz.

“Dr. Léo disse que seria um percentual da obra. Eu pedi para o William entregar para um emissário do Luiz Carlos e não fiquei fiscalizando se o valor… Eu não era fiscal do pagamento… eu simplesmente fui emissário…”.

O marqueteiro nega ter recebido para si ou para o PT dinheiro da OAS envolvendo a Torre de Pituba e afirma que a delação da empreiteira sobre o tema apresenta ‘inconsistências’.

Garreta narra ainda ter recebido valores da Odebrecht e da OAS para campanhas no Peru. Segundo ele, a maior parte das campanhas naquele país é feita com dinheiro de caixa dois. Ele rechaça a alcunha de ‘operador do PT’, e diz nunca ter intermediado propinas ao partido.

“Eu fiz uma campanha presidencial no peru em 2011. Pegamos um candidato lá, inclusive parecido com o Bolsonaro do ponto de vista ideológico, para aqueles que me acusam de ser do PT, operador do pt, o primeiro candidato que eu ajudei a eleger era um presidente de direita no Peru que se chama Ollanta Humala. Fizemos a campanha dele. A OAS financiou a nossa prestação de serviço. Ganhamos a eleição, criamos um prestígio profissional muito grande no Peru”, afirma.

“Um comentário geral. Eu assumi todas as minhas responsabilidades aqui. Eu só não quero ser penalizado por coisa que eu não fiz. O resto faz parte dos meus acertos e meus erros na minha vida. Eu fui no Peru, tô lá, assumiu uma condenação, uma pena. E eles estão querendo fixar uma reparação, meio absurda, mas estou negociando. Sobre esse negócio de Pituba, não recebi um centavo. O senhor pode até dizer que eu beneficiei indiretamente a minha empresa, porque todos eles me ajudaram a ganhar contratos, aumentar minha prestação de serviço, só que desse dinheiro eu não recebi nenhum centavo. E hoje tem uma situação de que todo o meu patrimônio e meus bens estão bloqueados, lutando para conseguir pagar meus financiamentos quando eu não fui beneficiado com nenhum centavo”, finalizou.

 

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