Garotinho, ex-governador do Rio, é preso pela PF na Operação Chequinho

Garotinho, ex-governador do Rio, é preso pela PF na Operação Chequinho

Prisão foi pedida pelo Ministério Público Eleitoral que investiga esquema de compra de votos em Campos, norte do Estado do Rio

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

16 de novembro de 2016 | 10h57

Garotinho foi preso na Operação Chequinho. Foto: Wilton Júnior/Estadão

Garotinho foi preso na Operação Chequinho. Foto: Wilton Júnior/Estadão

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira, 16, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR). A prisão foi pedida pelo Ministério Público Eleitoral.

Agentes da delegacia da PF em Campos de Goytacazes, a 270 km do Rio, reduto eleitoral de Garotinho, cumpriram o mandado na residência do ex-governador no Flamengo, zona sul do Rio. Em nota, a PF informou que cumpriu dois mandados judiciais contra Garotinho: um de prisão preventiva e um de busca e apreensão em um imóvel no bairro do Flamengo, zona sul da capital fluminense.

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Rosinha Garotinho, mulher do ex-governador, é prefeita de Campos dos Goytacazes. Anthony Garotinho é secretário de governo do município.

Anthony Garotinho governou o Rio entre 1999 e 2002.

Garotinho foi preso pela PF no Flamengo, zona sul do Rio. Foto: Wilson Júnior/Estadão

Garotinho foi preso pela PF no Flamengo, zona sul do Rio. Foto: Wilson Júnior/Estadão

Foto: Wilson Júnior/Estadão

Foto: Wilson Júnior/Estadão

A ordem de prisão contra Garotinho foi decretada pelo juiz Glaucenir Silva de Oliveira, da 100.ª Zona Eleitoral, em Campos.

Garotinho é alvo da Operação Chequinho, que investiga esquema de compra de votos em Campos. A PF mira o Programa Cheque Cidadão que teria sido usado para cooptar eleitores no último pleito no município situado ao Norte do Estado do Rio.

Em outubro, a PF prendeu três vereadores de Campos por suposto envolvimento no esquema – Kellenson Ayres Figueiredo de Souza (PR), Miguel Ribeiro Machado (PSL) e Ozeias Martins (PSDB).
Outro alvo da Operação Chequinho é a secretária de Desenvolvimento Humano e Social da prefeitura de Campos Ana Alice Ribeiro Lopes de Alvarenga.

O ex-governador do Rio e atual secretário de Governo de Campos foi preso por volta de 10h30 desta quarta-feira, 16, no prédio onde reside à Rua Senador Vergueiro, Flamengo. Agentes da PF informaram que ele não foi algemado.

Alertado da presença de policiais na portaria do edifício para cumprimento do mandado de prisão, Garotinho desceu e se entregou. Na garagem, uma viatura da PF já o aguardava.

O criminalista Fernando Fernandes, defensor de Garotinho, afirmou que ‘a prisão é ilegal’. Ele vai recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral para tentar revogar o decreto de prisão expedido pelo juiz da zona eleitoral de Campos. Um argumento da defesa é que o ex-governador não foi candidato nas eleições municipais.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE GAROTINHO:

O criminalista Fernando Augusto Fernandes, responsável pela defesa de Anthony Garotinho, afirma que o decreto de prisão ocorrido em razão de decisão da 100ª Vara Eleitoral de Campos vem na sequência de uma série de prisões ilegais decretadas por aquele juízo e suspensas por decisões liminares do Superior Tribunal Eleitoral. “A prisão a qual está submetido o ex-governador é abusiva e ilegal e decorre de sua constante denúncia de abusos de maus tratos a pessoas presas ilegalmente naquela comarca. Estas denúncias de abuso foram dirigidas à Corregedoria da Polícia Federal e ao juiz, que nenhuma providência tomou. Pessoas presas mudaram vários depoimentos após ameaças do delegado. No entanto, o TSE já deferiu quatro liminares por prisões ilegais. A Justiça certamente não permitirá que este ato de exceção se mantenha contra Garotinho.”

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