Garantir a liberdade intelectual

Garantir a liberdade intelectual

Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio*

28 de janeiro de 2020 | 04h30

Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio. FOTO: DIVULGAÇÃO

É possível perceber, em maior ou menor nível, dependendo do observador, o que acontece quando 90% da mídia é controlada/de propriedade de 3, 6, 9 corporações; quando essas mesmas corporações são operadas e controladas por uma ideologia política; quando as notícias não estão mais livres de preconceitos.

Nessa realidade de controle, as notícias não são mais confiáveis e independentes, elas se tornam, dependendo do país, uma extensão/um braço de um partido político. Fatos se tornam ficção, ficção se tornam fatos, e as notícias se tornam propaganda. 

É natural que uma pessoa comum, normalmente sob constante estresse financeiro, não encontre tempo para pesquisar e discernir fatos de ficção, seja qual for o país em que viva. A maioria das pessoas é mais propensa a acreditar em alguém no poder sentado “atrás” do nome de uma grande marca de notícias. 

As pessoas (psique humana) tendem a seguir o “ponto de vista da maioria” (mainstream) com medo de serem isoladas e/ou evitadas. A mainstream é empregada por uma razão: dominar tendência na opinião. Se a maioria das pessoas não acredita em ‘Q’, ‘Q’ não deve ser validado/verdadeiro. 

Por que os líderes de mídia mainstream, em diferentes organizações, sempre empregam as mesmas palavras-chave e/ou frases de efeito? Há uma coordenação? Se há, de quem? Há uma entidade externa que fornece instruções para líderes de mídia, que as seguem? 

Essa estrutura/entidade conta com o fato de que as pessoas (psique humana) são mais propensas a acreditar em algo se ouvidas repetidas vezes por diferentes fontes “confiáveis”. Táticas de ‘câmara de eco’ fornecem validação/credibilidade ao tópico/ponto em discussão. É uma ameaça à liberdade intelectual. 

O controle sobre (dessas) instituições/organizações permitiria o controle em massa do ponto de vista das populações: um tópico desejado? 

Também é possível perceber o emprego de estratégia focada em dividir as pessoas em sexo, gênero, raça, religião, partido político, e outros ‘ismos’. 

Quem controla as alavancas da divulgação de notícias, controla a narrativa. Controlar a narrativa é poder. Por que dividir? Para enfraquecer? Para as pessoas não representarem ameaça aos controladores? 

Quando você está dividido, irritado e controlado, dirige essas emoções na direção daqueles que são ‘diferentes’ de você, não aos responsáveis (controladores). 

Quando as informações “não dogmáticas” se tornam GRATUITAS E TRANSPARENTES, elas se tornam uma ameaça para aqueles que tentam controlar a narrativa e/ou a estabilidade (gado mantido – ovelha). 

Quando você está acordado, fica do lado de fora do estábulo (‘coletivo de pensar em grupo’) e tem um ‘pensamento livre’, um ponto de vista filosófico que sustenta que as posições em relação à verdade devem ser formadas com base na lógica, razão e empirismo, em vez de autoridade, tradição, revelação ou dogma. 

Para as pessoas, para os povos, em qualquer tempo, garantir a liberdade intelectual é afastar perigo à república.

*Luiz Paulo Ferreira Pinto Fazzio, advogado

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