Promotoria denuncia Adir Assad e executivos da CCR por R$ 19 mi em caixa 2 para campanha

Promotoria denuncia Adir Assad e executivos da CCR por R$ 19 mi em caixa 2 para campanha

Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público de São Paulo, envolve doleiro e concessionária por supostos contratos superfaturados

Luiz Vassallo e Fabio Leite

15 de março de 2019 | 18h16

Adir Assad. FOTO ED FERREIRA/ESTADÃO

Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado em São Paulo denunciaram o doleiro Adir Assad e executivos da concessionária CCR por supostos contratos superfaturados de empresas do Grupo para a geração de R$ 19 milhões em caixa dois destinado a campanhas eleitorais. Tanto o doleiro quanto a empresa têm colaborado com investigadores.

Documento

A denúncia do Gaeco é subscrita pelas promotoras de Justiça Letícia Rosa Ravacci, Roberta Amá Ferrante Alves e Manoella Guz e pelo promotor Pedro André Picado Alonso.

A acusação dá conta de que, além de Adir, outras empresas teriam gerado caixa dois para a CCR. O presidente da Engelog, empresa do grupo, Roberto Avelino, teria chamado empresários Silene Walter Pereira, Gustavo Assumpção, Ednilson Artioli e Oswaldo Vieira, de construtoras que prestavam serviços para obras da AutoBan e da NovaDutra – pertencentes à CCR -, todos denunciados.

Segundo os promotores, entre ‘2009 e meados de 2013, os denunciados Adir Assad, Roberto Avelino Pereira Filho, juntamente com Renato Vale, Everaldo Oliveira Nascimento e José Roberto Gonzaga Meirelles, integraram uma associação criminosa que se estruturou dentro do Grupo CCR e atuou paralelamente às atividades lícitas desenvolvidas pela empresa, com a finalidade de praticar delitos de falsidade ideológica em contratos de publicidade realizados pela holding e suas subsidiarias, para formação de caixa 2 e doação ilícita para campanhas eleitorais’.

“O grupo CCR, empresa de concessão de infraestrutura, transportes e serviços, foi criada como uma holding financeira para cuidar de negócios, sob o viés financeiro, de todas as empresas do grupo, dentre elas a Concessionária do Sistema Anhanguera Bandeirantes – Autoban, da Concessionária da Rodovia Presidente Dutra – Nova Dutra e Concessionária de Rodovias do Oeste de São Paulo – ViaOeste”, diz a denúncia.

Os promotores ainda narram que as ‘primeiras concessões de rodovia do País assumidos pelo grupo ocorreram em meados da década de 90, cujos contratos se estendem até os dias atuais’. “A atuação do grupo se estendeu para outros segmentos de serviços públicos, onde atua como concessionária na área de transporte de passageiros e aeroportuários”.

“Em razão das concessões públicas assumidas pelo grupo, a Companhia, por meio de seu Presidente e Diretores, passaram a ser assediados para oferecer apoio financeiro a campanhas eleitorais”, sustentam.

O Gaeco diz que visando ‘um bom relacionamento com os partidos que dominam o cenário político, Renato Vale – Presidente da holding, José Roberto Gonzaga Meirelles – assessor da Presidência e Everaldo Oliveira Nascimento – gerente financeiro administrativo, juntamente com o empresário da área de marketing esportivo, o denunciado Adir Assad, fraudaram inúmeros contratos de publicidade, conseguindo com isto, a geração de um caixa paralelo à empresa’.

A CCR admitiu, em termo de autocomposição com a Promotoria de São Paulo, ter pago de forma ilícita ao menos R$ 30 milhões para campanhas eleitorais de ex-governadores e deputados de São Paulo. Pelo menos 15 políticos são citados, entre eles os ex-governadores Geraldo Alckmin e José Serra, ambos do PSDB, o ex-ministro e secretário licenciado do governo João Doria (PSDB), Gilberto Kassab (PSD) e o deputado estadual Campos Machado (PTB). Todos negam os repasses.

COM A PALAVRA, ADIR ASSAD

A reportagem procura contato com a defesa de Adir Assad. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, CCR

Nota

O Grupo CCR informa que, por determinação da legislação que rege os Termos de Autocomposição assinado com o MP-SP, as informações apuradas são sigilosas. O Grupo CCR esclarece que continua à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos que envolvam a companhia e suas controladas.

A companhia reitera compromisso de manter permanentemente canais de relacionamento com todos os seus públicos, incluindo seus acionistas, nacionais e internacionais, sempre de forma ágil e transparente.

Grupo CCR