Gabriela Hardt manda bloquear R$ 1,3 bi de Walter Faria

Gabriela Hardt manda bloquear R$ 1,3 bi de Walter Faria

Luiz Vassallo

01 de agosto de 2019 | 08h23

Foto: Governo da Bahia

Ao decretar a prisão do executivo do Grupo Petropolis Walter Faria, na Operação Lava Jato, a juíza federal Gabriela Hardt também impôs a ele bloqueio de até R$ 1,3 bilhões.

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Esta é a cifra que o empresário declarou ter em contas no exterior, segundo aponta relatório de sua quebra de sigilo bancário.

De acordo com a Receita Federal, o montante equivale a 1% do total repatriado no âmbito do Regime Especial de Regularização Cambial e tributária (RERCT).

O Ministério Público Federal rastreou as contas do dono do Grupo Petrópolis e encontrou ativos na Suíça, Ilhas Virgens, Panamá, Reino Unido, Holanda e Uruguai.

Além de Faria, também são alvos de bloqueio de R$ 275 milhões os sobrinhos do executivo, Vanuê e Cleber, e o advogado Silvio Pelegrini.

A juíza afirma haver ‘elementos indicando que tais investigados possuem atuação relevante na criação de offshores, abertura de contas e movimentação de valores ilícitos relacionados a Walter Faria, nos termos acima já citados’.

“Vanuê e Cleber, são titulares de contas no exterior, havendo indícios de ocultação de valores às autoridades brasileiras”, escreve.

“Há nos autos indícios de prática de crimes graves: corrupção, lavagem, além de associação criminosa. Da mesma forma, presentes indícios de autoria/participação”, conclui.

Lava Jato 62

Nesta quarta, 31, um efetivo de 120 policiais federais saiu às ruas para executar a operação ‘Rock City’, fase 62 da Lava Jato. Eles cumprem um mandado de prisão preventiva contra Walter Faria e cinco de prisão temporária de executivos do Grupo Petrópolis.

Três ordens de prisão foram cumpridas pela Polícia Federal até agora – Maria Elena de Souza, secretária da Diretoria do Grupo Petrópolis, Vanuê Faria, sobrinho do empresário Walter Faria, e o advogado Silvio Pelegrini, em cuja residência os investigações encontraram R$ 240 mil em dinheiro vivo.

Segundo o Ministério Público Federal no Paraná, o Grupo disponibilizou pelo menos R$ 208 milhões em espécie à Odebrecht no Brasil entre 2007 e 2011 e repassou R$ 121.581.164,36 em propinas da construtora disfarçadas de doações eleitorais.

Os navios-sonda da Petrobrás

A investigação identificou ainda contas bancárias no exterior controladas por Walter Faria que teriam sido utilizadas para o pagamento de propina no caso dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000.

De acordo com o Ministério Público Federal, entre setembro de 2006 a novembro de 2007, Júlio Gerin de Almeida Camargo e Jorge Antônio da Silva Luz, operadores que intermediavam a propina creditaram US$ 3.433.103,00 em favor das contas bancárias titularizadas pelas offshores Headliner LTD e Galpert Company S/A, cujo responsável era o controlador do grupo Petrópolis.

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