Gabriela Hardt bloqueia R$ 651 milhões dos irmãos Efromovich

Gabriela Hardt bloqueia R$ 651 milhões dos irmãos Efromovich

Os sócios Germán e José tiveram contas e bens congelados pela juíza da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, que também impôs prisão preventiva domiciliar aos empresários investigados na fase 72 da Operação Lava Jato

Rayssa Motta e Fausto Macedo

19 de agosto de 2020 | 17h22

Além de determinar, a pedido da força-tarefa da Operação Lava Jato, a prisão preventiva dos irmãos Germán e José Efromovich, a juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, bloqueou R$651 milhões dos empresários. A magistrada ainda converteu a detenção dos irmãos Efromovich para prisão domiciliar, em razão da pandemia do novo coronavírus.

Foram congelados contas pessoais e ativos das companhias Petrosynersy LTDA e SPSYN Participações S.A., controladas pelos Efromovich.

“Reputo viável o decreto do bloqueio dos ativos financeiros dos investigados em relação aos quais há prova, em cognição sumária, de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e/ou documental e contra o Sistema Financeiro Nacional. Não importa se tais valores, nas contas bancárias, foram misturados com valores de procedência lícita. O sequestro e confisco podem atingir tais ativos até o montante dos ganhos ilícitos”, escreveu a magistrada.

Os irmãos e sócios Germán e José Efromovich. Fotos: CARLOS VERA/REUTERS/29/03/2016 e HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO/15/06/2012

Os dois começaram a cumprir a medida em regime domiciliar nesta quarta, 19, quando foram alvo da ‘Operação Navegar é Preciso‘, fase 72 da Lava Jato que investiga suposto pagamento de propinas ao ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, em troca do favorecimento em contratos com a subsidiária da Petrobrás. O prejuízo causado pelo esquema aos cofres públicos é estimado pelos investigadores em mais de R$600 milhões.

Segundo a força-tarefa, os valores foram depositados entre os anos 2009 e 2013 em contas bancárias na Suíça controladas por Expedito Machado, filho do ex-executivo da estatal, e operacionalizados através de contratos falsos de empréstimos e investimentos para ocultar a natureza do dinheiro. O caso foi relevado em delação pelos Machado.

Uma primeira parcela de R$28 milhões estaria relacionada ao direcionamento de um acordo para a construção de quatro navios petroleiros do tipo Panamax e uma segunda de R$12 milhões seria referente à compra de oito embarcações de transporte de petróleo e derivados.

Para os agentes, uma série de medidas de engenharia societária, confusão entre personalidades jurídicas e físicas dos investigados e das suas empresas, bem como de confusão gerencial dos empresários na administração do estaleiro são indícios de lavagem de dinheiro, ocultação e blindagem do patrimônio.

COM A PALAVRA, GERMÁN EFROMOVICH
Após tomar conhecimento da operação, o empresário concedeu entrevista coletiva à imprensa, em que negou ter pago propinas em troca dos contratos.

“Nós ganhamos aquele contrato em uma licitação. Inclusive tem uma ação contra a Transpetro, porque não cumpriram o contrato. Eu vi a delação premiada do senhor Sérgio Machado, há uns anos atrás, onde diz que o único que não dá dinheiro para político é o Germán Efromovich. Eu nunca dei dinheiro em troca de contrato para político nenhum, nem para executivo da Transpetro. Aliás, minhas contas são transparentes, podem olhar tudo”, disse.

COM A PALAVRA, JOSÉ EFROMOVICH
A reportagem busca contato com a defesa do empresário José Edromovich. O espaço está aberto para manifestações (rayssa.motta@estadao.com)

COM A PALAVRA, A PETROBRÁS
“Petrobras e Transpetro são reconhecidas pelo próprio Ministério Público Federal e pelo Supremo Tribunal como vítimas dos crimes desvendados. A Petrobras vem colaborando com as investigações desde 2014, e atua como coautora do Ministério Público Federal e da União em 18 ações de improbidade administrativa em andamento, além de ser assistente de acusação em 71 ações penais.

Cabe salientar que a Petrobras já recebeu mais de R$ 4,6 bilhões, a título de ressarcimento, incluindo valores que foram repatriados da Suíça por autoridades públicas brasileiras.”

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