Gabinete de Lewandowski diz que ministro sentiu-se no ‘dever funcional’ de proteger STF

Gabinete de Lewandowski diz que ministro sentiu-se no ‘dever funcional’ de proteger STF

Na manhã desta terça, 4, em voo de São Paulo para Brasília, ministro chamou Polícia Federal para deter advogado que se dirigiu a ele dizendo ter 'vergonha' do Supremo Tribunal Federal

Teo Cury/BRASÍLIA

04 Dezembro 2018 | 20h11

Ricardo Lewandowski. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

O gabinete do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, informou na noite desta terça-feira, 4, por meio de nota, que o magistrado, ao ‘presenciar um ato de injúria’ à Corte, ‘sentiu-se no dever funcional de proteger a instituição a que pertence, acionando a autoridade policial para que apurasse eventual prática de ato ilícito, nos termos da lei’.

Após ouvir de um passageiro que o Supremo é uma ‘vergonha’, o ministro questionou se ele queria ser preso e pediu aos comissários da aeronave que partia de São Paulo com destino a Brasília nesta terça-feira que chamassem agentes da Polícia Federal. O passageiro é o advogado Cristiano Caiado de Acioli, de 39 anos. Ainda em São Paulo, Acioli gravou um vídeo em que diz ao ministro que tem vergonha da Corte e vergonha de ser brasileiro por causa do STF.

O episódio ocorreu no voo G3 1446, da Gol, que deixou o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, às 10h45, e aterrissou no Aeroporto Internacional de Brasília às 12h50, com 20 minutos de atraso. No vídeo, o advogado diz: ‘Ministro Lewandowski, o Supremo é uma vergonha, viu? Eu tenho vergonha de ser brasileiro quando eu vejo vocês’. O ministro responde: ‘Vem cá, você quer ser preso? Chamem a Polícia Federal, por favor’. Em seguida, o ministro diz que o advogado terá de explicar para a Polícia Federal o que falou a ele.

Acioli ficou retido na aeronave após o pouso em Brasília acompanhado por um agente da Polícia Federal e depois foi conduzido à Superintendência da PF no Distrito Federal, onde prestou depoimento.