Fux diz que escolha de Moro ‘foi a que a sociedade brasileira faria’

Fux diz que escolha de Moro ‘foi a que a sociedade brasileira faria’

Um segundo ministro do STF, no entanto, acredita que juízes são 'péssimos gestores' e que ida do magistrado da Lava Jato para a Esplanada dos Ministérios dá munição ao discurso do PT de perseguição política

Teo Cury e Rafael Moraes Moura/ BRASÍLIA

01 Novembro 2018 | 13h28

Ministro Luiz Fux. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADÃO

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta quinta-feira, 1, ao Broadcast Político que o juiz federal Sergio Moro, da Operação Lava Jato, é um ‘excelente nome’ para comandar o superministério da Justiça no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). “A sua escolha foi a que a sociedade brasileira faria, se consultada”, disse o ministro.

Na avaliação de Luiz Fux, o juiz federal é “símbolo da probidade e da competência”. Para o ministro, a escolha de Sergio Moro foi “por genuína meritocracia”.

“(Moro) Imprimirá no Ministério da Justiça a sua marca indelével no combate à corrupção e na manutenção da higidez das nossas instituições democráticas, prestigiando a independência da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário”, disse Fux.

O ministro Marco Aurélio Mello disse ao Broadcast Político que Bolsonaro acertou na escolha do juiz e ressaltou que não há perda para a Lava Jato com o futuro desligamento de Moro das investigações em Curitiba.

“É um grande quadro, sem dúvida alguma, e tem relevante serviço a prestar. Caso se confirme a saída dele do Judiciário, (Moro) tem tudo para prestar bons serviços ao Executivo. O presidente acertou, sem dúvida alguma, eu no lugar do futuro presidente Jair Bolsonaro também tentaria compor uma grande equipe, inclusive com o juiz Sérgio Moro”, disse.

‘Marketing’. Outro ministro do STF, que pediu para não ser identificado, acredita que a ida de Moro ao superministério da Justiça foi uma “jogada de marketing” do governo Bolsonaro – com data de validade – e colocará o magistrado no centro do debate político, vulnerável a críticas sobre a sua futura gestão.

Para esse integrante do STF, juízes, de uma forma em geral, são ‘péssimos gestores’ e a futura nomeação de Moro dá munição ao discurso do PT de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso e condenado no âmbito da Operação Lava Jato, é alvo de perseguição política e de julgamento parcial.

Procedimentos. O corregedor nacional de Justiça, Humberto Martins, disse nesta quinta-feira ao Broadcast Político que os procedimentos disciplinares que tramitam no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apurar a conduta do juiz federal Sérgio Moro na Operação Lava Jato serão “analisados no tempo certo”. Cabe ao CNJ julgar processos disciplinares e aplicar sanções administrativas contra juízes.

“Os casos de Sérgio Moro serão analisados no seu tempo. O corregedor nacional analisará tudo dentro do tempo, independentemente de ser indicado ministro, nao ser indicado. Não sei nem qual será a minha decisão, vou analisar caso a caso”, disse Martins à reportagem.

Para o advogado Valdetário Monteiro, conselheiro do CNJ, a “experiência do juiz Sergio Moro em 22 anos de magistratura e lidando com matérias de altíssimo conhecimento técnico serão de grande valia ao novo governo”.