Fux diz não ser inerente à sua atuação suspender investigações fundadas

Fux diz não ser inerente à sua atuação suspender investigações fundadas

Ministro, que está à frente do plantão do Supremo durante o recesso judiciário, determinou a paralisação da inquérito sobre movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL)

Teo Cury/BRASÍLIA

17 de janeiro de 2019 | 20h24

Luiz Fux. Foto: Dida Sampaio/Estadão

BRASÍLIA – O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, disse ao Broadcast Político nesta quinta-feira, 17, que tomou uma medida de urgência provisória até o pronunciamento do ministro Marco Aurélio Mello e que não é inerente à sua atuação suspender investigações fundadas.

O ministro, que está à frente do plantão do Supremo durante o recesso judiciário, determinou a paralisação da investigação sobre movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), e de outros assessores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O despacho foi dado nesta quarta-feira, 16, mesmo dia em que o pedido foi protocolado na Corte,

Fux decidiu que caberá ao relator do caso, ministro Marco Aurélio, analisar o pedido de Flávio Bolsonaro para que as provas coletadas na investigação sejam declaradas ilegais.

“Tomei uma medida de urgência provisória até o pronunciamento do ministro Marco Aurélio, que deve ocorrer daqui a nove dias úteis, quando acaba o recesso. A minha atuação antecedente e independente em todos os processos demonstra não ser inerente à minha atuação suspender investigações fundadas”, disse à reportagem.

Conforme informou mais cedo o Broadcast, o entendimento do STF sobre o alcance do foro privilegiado pesou na decisão de Fux de suspender a apuração sobre Queiroz. “O reclamante (Flávio Bolsonaro) foi diplomado no cargo do senador da República, o qual lhe confere prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal. À luz do precedente firmado, compete ao Supremo Tribunal Federal o processo e julgamento dos parlamentares por atos praticados durante o exercício do mandato e a ele relacionados”, observou Fux em seu despacho.

O relatório do Coaf, revelado pelo Estado em dezembro do ano passado, foi enviado ao Ministério Público Federal do Rio no âmbito da Operação Furna da Onça, que em novembro prendeu dez deputados estaduais suspeitos de receberem propina. Ao todo, 75 servidores são citados no documento, mas nem todos seguem o mesmo padrão de movimentação financeira. Queiroz e Flávio Bolsonaro não foram alvo da operação.

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