Fux abre inquérito contra Blairo por organização criminosa em Mato Grosso

Fux abre inquérito contra Blairo por organização criminosa em Mato Grosso

Ministro do Supremo Tribunal Federal abre sigilo da 'delação monstruosa' do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) que citou o ministro da Agricultura e entregou vídeo de pagamento de propina a políticos de Mato Grosso

Breno Pires e Marianna Holanda

25 Agosto 2017 | 15h30

Blairo Maggi. Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, determinou a retirada do sigilo da delação de Silval Barbosa (PMDB), ex-governador do Mato Grosso, e autorizou a abertura de um inquérito para apurar uma organização criminosa que se instalou na alta cúpula do governo do Mato Grosso, de acordo com o relato do procurador-geral da República Rodrigo Janot. Embora a totalidade dos investigados no inquérito não tenha sido revelada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aponta o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, como líder da suposta organização criminosa.

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“Entre os agentes políticos, destaca-se a figura de Blairo Borges Maggi, o qual exercia incontestavelmente a função de liderança mais proeminente na organização criminosa, embora se possa afirmar que outros personagens tinham também sua parcela de comando no grupo, entre eles o próprio Silval Barbosa e José Geraldo Riva”, afirma Janot no pedido de abertura de inquérito, autorizado por Luz Fux.

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A decisão de Fux foi tomada nesta quinta-feira (24) e atende ao pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro Fux havia homologou (validou) a delação no dia 9 de agosto, uma semana após de ter dito que ela seria “monstruosa”.

Segundo Janot, Silval Barbosa “menciona fatos típicos praticados por autoridades detentoras de prerrogativa de foro, dentre elas o Deputado Federal Ezequiel Fonseca, Deputado Federal Carlos Bezerra, o Senador da República José Aparecido Santos, o Senador da República Wellington Fagundes e o Ministro de Estado e Senador da República licenciado Blairo Borges Maggi”.

A PGR afirma que, segundo Silval, seu ex-chefe de gabinete Sílvio Cezar Correa Araújo, entre 2007 e 2010, praticou “inúmeros crimes contra a administração e lavagem de dinheiro”.

Silvio Cézar Correa Araújo é uma das outras quatro pessoas a firmarem acordo de delação premiada, além de Silval Barbosa. Os outros delatores são Roseli de Fátima Meira Barbosa, esposa do ex-governador do Mato Grosso, Rodrigo da Cunha Barbosa e Antônio da Cunha Barbosa.

Vídeo. Como forma de corroboração à sua delação premiada, Silval Barbosa (PMDB) entregou à Procuradoria-Geral da República vídeos que mostram políticos do estado recebendo dinheiro vivo, veiculados no Jornal Nacional nesta quinta-feira, 24.

O ex-governador alega que as gravações foram feitas pelo então chefe de gabinete Silvio Cesar. De acordo com Silval, ele era o funcionário responsável por entregar os valores. O dinheiro, segundo o ex-governador, era de esquemas de propina no estado.

Entre os políticos flagrados nas imagens estão o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (PMDB), que chegou a colocar tantas notas em seus bolsos que parte delas caiu no chão. O vídeo mostra Emanuel agachando-se para juntar as cédulas espalhadas.

O deputado federal Ezequiel Fonseca (PP) aparece nas imagens às quais a Rede Globo teve acesso recebendo o dinheiro em uma caixa de papelão. O então deputado estadual Hermínio Barreto (PR) é flagrado com os maços em uma mala. A atual prefeita de Juara (MT), Luciane Bezerra (PSB) também pode ser identificada no vídeo levando o dinheiro na bolsa. O ex-deputado estadual Alexandre César (PT) aparece levando notas em uma mochila.

COM A PALAVRA, BLAIRO

NOTA À IMPRENSA

Deixo claro, desde já, que causa estranheza e indignação que acordos de colaboração unilaterais coloquem em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública. Mesmo assim, diante dos questionamentos, vimos a público prestar os seguintes esclarecimentos:

1. Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja “mudanças de versões” em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Qualquer afirmação contrária a isso é mentirosa, leviana e criminosa.

2. Também não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato. Por não ter ocorrido isto, Silva Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes.

3. Repudio ainda a afirmação de que comandei ou organizei esquemas criminosos em Mato Grosso. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas.

4. Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional.

5. Por fim, entendo ser lamentável os ataques à minha reputação, mas recebo com tranquilidade a notícia da abertura de inquérito, pois será o momento oportuno para apresentação de defesa e, assim, restabelecer a verdade, pois definitivamente acredito na Justiça.

Blairo Maggi

COM A PALAVRA, ALEXANDRE CESAR

O procurador do Estado e ex-deputado estadual (PT), Alexandre Cesar, disse que só ficou sabendo da delação por meio da imprensa. Questionado sobre as imagens, ele respondeu: “Não vou me manifestar sobre os cinco segundos (do vídeo). Vou responder sobre todo o processo, quando tiver acesso”.

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