Futuro na nuvem: soluções remotas viabilizam projetos de instituições financeiras no Brasil e mundo

Luiz Antonio Sacco*

12 de julho de 2020 | 04h30

A pandemia global trouxe à tona a importância – e os desafios – da adaptação ao trabalho remoto. Numa época em que o trabalho remoto já é uma realidade inquestionável, outro fator também deve ser levantado: a parada repentina de projetos.

A flexibilização de jornadas de trabalho está correlacionada à menor demanda por pessoal. Para alguns setores do mercado, no entanto, essa flexibilidade não reduz a necessidade de instalações físicas, processos e aprovação de projetos de maneira tangível.

Quanto tempo afinal podem as empresas enfrentarem ou contornarem situações como essa sem o uso de soluções mais digitais? E qual é a resposta para essa companhias? Vejamos o exemplo do setor financeiro. Desde o princípio da pandemia, mais da metade da categoria bancária está trabalhando de forma remota. A diretriz do Comando Nacional dos Bancários colocou cerca de 250 mil pessoas em casa, segundo o sindicato dos trabalhadores bancários brasileiros.

Não é incomum, então, imaginar que bancos, fintechs e corretoras estão lutando para gerenciar – e muito menos implementar – suas infra-estruturas locais. Soluções modernas, como ofertas baseadas na nuvem, estão fornecendo às instituições financeiras uma solução para esse problema em todo o setor. Fica claro que as empresas devem passar a enxergar a adoção das soluções em nuvem como parte inerente às suas estratégias de transformação digital – e também como forma de viabilizar projetos em um contexto de trabalho cada vez mais remoto. Destaco aqui o setor financeiro, no qual a mesma tendência se aplica em todo o mercado latino-americano.

Vários bancos, incluindo grandes e tradicionais, já experimentaram os benefícios da adoção de soluções na nuvem para melhor gerenciamento do orçamento de TI, redução de custos e avanços tecnológicos. No Brasil, com a ascensão de fintechs e bancos digitais, a transformação digital já é vista como essencial. De fato, o Brasil é um dos 10 maiores mercados mundiais de fintechs – e a expansão dessas empresas impulsionará a adoção gradual de soluções modernas, como a nuvem, até mesmo para as empresas mais tradicionais.

O Banco Rendimento é um exemplo. Recentemente, o banco adotou o RippleNet Cloud – a solução baseada em blockchain da Ripple para pagamentos transfronteiriços inteiramente na nuvem – para seus negócios e já está experimentando uma maior economia de custos como resultado de não precisar mais manter seus servidores 24 horas por dia, 7 dias por semana. Hospedar o gerenciamento de infraestrutura em um ambiente de nuvem ajuda as instituições financeiras não apenas a economizar investimentos em tecnologia, mas também a reduzir custos para fornecer pessoal para essas infraestruturas locais. Como para o Banco Rendimento, a migração para a nuvem também permite que as instituições financeiras se conectem com outras regiões do mundo muito mais rapidamente, criando novas oportunidades de negócios para os setores de serviços bancários e financeiros.

Por que nuvem agora?
A adoção da tecnologia em nuvem não é uma novidade no mercado brasileiro. É importante mencionar, no entanto, que a pandemia da Covid-19 acelerou e deve acelerar ainda mais este, que é um processo já em andamento.

Como sabemos, as operações do setor financeiro são críticas a qualquer momento econômico e a intensificação das soluções em nuvem pode ser a resposta para suas necessidades imediatas de transformação digital. Em momentos como esse, quando o distanciamento social é uma medida tão importante, as soluções em nuvem também eliminam a necessidade de instalar servidores de aplicativos, pois os bancos de dados podem ser instalados remotamente.

O grande desafio, no entanto, é fazer com que a adoção das soluções e serviços em nuvem faça parte definitiva da agenda de priorização de investimentos nas empresas, associando a tecnologia como algo indispensável não apenas no atual cenário, mas como inerente à estratégia de “banco como um serviço” – que veio para ficar.

*Luiz Antônio Sacco, diretor geral da Ripple na América Latina

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