Fundo Especial fortalecerá e modernizará a Polícia Civil

Fundo Especial fortalecerá e modernizará a Polícia Civil

Raquel Kobashi Gallinati*

03 de maio de 2019 | 17h40

Raquel Kobashi Gallinati. FOTO: DIVULGAÇÃO

Não é de hoje que a situação da Polícia Civil do Estado de São Paulo é preocupante. São delegacias sucateadas, cheias de problemas estruturais e padecendo com a falta de policiais para atender ao cidadão e investigar os casos. Outro dia mesmo, a marquise do 68.º DP, na Capital paulista, desabou sobre duas viaturas.

A perspectiva não é boa. Em reunião com o secretário da Segurança Pública, general João Camilo Pires de Campos, há três semanas, juntamente com as diretorias do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo e da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, fomos informados que não há dinheiro para investir a curto ou médio prazo, nem previsão de recomposição salarial ou de contratações para suprir a defasagem policial que, hoje, é de quase 14 mil cargos.

A tendência é que esse número piore ainda mais. Todo mês, centenas deixam a instituição.

O principal problema disso é o seu impacto, direto ou não, na investigação, trabalho primeiro de nossa instituição.

Todo movimento realizado pelas equipes policiais civis para coletar provas, inquirir testemunhas, cumprir mandados de busca e apreensão ou prisão demanda investimento que deve vir dos cofres públicos. E, quando o Estado sinaliza que não há dinheiro para nada, a desesperança encontra terreno fértil para se instalar.

Antes que a Polícia Civil padeça, pode haver uma luz no fim do túnel. Um projeto de lei do deputado estadual, o Delegado Olim, prevê a criação do Fundo Especial para o Combate do Crime Organizado e a Lavagem de Dinheiro (FEPCCOLD), para o fortalecimento e modernização da Polícia Civil.

Esse projeto de lei foi formalizado no último dia 25, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Na prática, o projeto prevê a destinação de recursos provenientes de lavagem de dinheiro, judicialmente declarados em favor do Estado, para a própria Polícia Civil.

O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo defende a sua criação.

A Polícia Civil precisa acompanhar a evolução dos meios utilizados pelos infratores e otimizar o combate ao crime e à corrupção, além de desmantelar as grandes quadrilhas que assolam a sociedade, devolvendo a tão necessária sensação de segurança que um cidadão precisa para viver em paz.

Em tempo: ao contrário de propostas que oneram a União, os estados e os municípios, o Fundo Especial para o Combate do Crime Organizado e a Lavagem de Dinheiro não causará impacto orçamentário aos cofres públicos.

*Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo

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