Frota leva à PF dados que apontam ligação de Eduardo Bolsonaro a suposto esquema de ‘fake news’

Frota leva à PF dados que apontam ligação de Eduardo Bolsonaro a suposto esquema de ‘fake news’

Deputado federal e ex-aliado do Planalto foi ouvido pela Polícia Federal no inquérito dos atos antidemocráticos e apresentou aos investigadores informações coletadas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das 'Fake News'

Paulo Roberto Netto e Fausto Macedo

06 de outubro de 2020 | 22h17

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) apresentou à Polícia Federal dados coletados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das ‘Fake News’ que implicariam diretamente o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) a suposto esquema de ‘linchamento virtual’ por meio de ‘fake news’.

Os documentos foram entregues durante oitiva do parlamentar realizada no último dia 29 no inquérito que apura o financiamento e divulgação de atos antidemocráticos. As informações foram divulgadas pela Folha de S.Paulo e Jornal Nacional e confirmadas pelo Estadão, que também teve acesso ao depoimento.

Frota entregou aos investigadores endereços IPs de computadores que foram identificados pela CPMI das Fake News como responsáveis pela ‘orientação, determinação e divulgação’ de ‘fake news’ e ataques virtuais. Os dados foram obtidos a partir de quebra de sigilo telemático e apontam para máquinas presentes em dois endereços ligados a Eduardo Bolsonaro: um no Jardim Botânico, onde o deputado mora em Brasília; e outro na Avenida Pasteur, no Rio, imóvel que o filho do presidente declarou à Justiça Eleitoral.

“Todos esses IPs foram relacionados com o mesmo e-mail bolsonaro.enb@gmail.com, cadastrado em nome de Eduardo Nantes Bolsonaro”, afirmou Frota à Polícia Federal. O mesmo e-mail foi usado por Eduardo quando registrou sua candidatura em 2018.

Para ‘reforçar’ sua afirmação de envolvimento direto do filho do presidente no esquema, Frota disse que outro IP identificado pela CPMI das Fake News apontou para endereço situado em Taguatinga Norte, em Brasília, onde reside um assessor de Eduardo Bolsonaro.

“É possível afirmar que Eduardo Bolsonaro estava relacionado com a orientação, determinação e divulgação em razão da identificação do uso de computadores situados em Brasília e no Rio de Janeiro”, apontou Frota.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) no plenário da Câmara dos Deputados. Foto: Dida Sampaio / Estadão

Segundo Frota, Eduardo Bolsonaro fazia parte do grupo que ‘orientava, determinava ou incitava’ a produção de conteúdos para linchamento virtual de opositores. O chamado ‘gabinete do ódio’, formado pelos assessores Tércio Arnaud, José Matheus e Mateus de Matos, também contaria com auxílio do blogueiro Allan dos Santos e do vereador, Carlos Bolsonaro.

“Indagado se o declarante tem conhecimento de quem orientava, determinava ou incitava a produção ou divulgação desses conteúdos, respondeu que Tercio Arnaud, José Matheus e Mateus de Matos, Allan dos Santos, Eduardo Bolsonaro, Bernardo Kuster, Paula Marisa, Camila Abdo, Tatiane Alvarez, Paulo Eneas e Carlos Bolsonaro são responsáveis por criar conteúdos (como textos, posts, memes e hashtags), bem como são mentores da linha estratégica e de quais informações deveriam ser difundidas”, apontou a PF.

Segundo Frota, o ‘gabinete do ódio’ instalado no Palácio do Planalto trabalha no monitoramento de redes sociais ‘em busca de informações que pudessem atingir atingir a pessoa do presidente da República’. “Eles identificam pessoas que possam ser opositores do governo para promover ‘linchamentos virtuais'”, disse.

COM A PALAVRA, O DEPUTADO FEDERAL EDUARDO BOLSONARO
A reportagem busca contato com a defesa do deputado federal Eduardo Bolsonaro. O espaço está aberto a manifestações (paulo.netto@estadao.com)

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