Franquias: há (muito) espaço para crescer no segmento óptico, apesar da pandemia

Franquias: há (muito) espaço para crescer no segmento óptico, apesar da pandemia

Gustavo Freitas*

20 de fevereiro de 2021 | 03h00

Gustavo Freitas. FOTO: DIVULGAÇÃO

O ano de 2020 foi atípico para qualquer negócio. No franchising, o setor também sentiu o impacto da pandemia, mas aos poucos registrou recuperação. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), em julho, a perda de faturamento do mês era de apenas 7,2% em comparação com o mesmo período do ano passado. Digo “apenas” porque esse número quase chegou a ser 50% em meses anteriores.

Mas nem todos os segmentos sentiram os efeitos da pandemia com tanta força – pelo contrário, até cresceram perante as dificuldades. É o caso das redes de óticas. Alguns números e condições podem explicar isso. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 35% da população mundial tenha miopia. Esse número irá subir para 52% até 2050, ainda segundo a entidade. Passar muito tempo com olhos voltados para telas de smartphone e televisão é uma das explicações para esse surto. Ou seja, trata-se de uma questão de saúde com uma demanda maior a cada ano.

Outro ponto favorável às redes de óticas em 2020 foi o fato de terem sido consideradas “serviços essenciais” diante às restrições da pandemia. Como tem se percebido nos últimos anos, a busca da população pela saúde ocular é cada vez mais recorrente e as óticas têm um importante papel nesse contexto.

Com isso, elas puderam ficar com as portas abertas, atender, vender, enquanto outros negócios tiveram de se adaptar rapidamente ao delivery e e-commerce. Não que as óticas tenham passado em branco por essas adaptações. Pelo contrário, algumas redes incentivam ainda hoje o serviço de home care (dentro dos padrões de segurança orientados pela OMS), que foi desenvolvido no início da pandemia – o lojista vai até a casa do cliente fazer o atendimento. Aliás, muitos franqueados viram essa prática como mais uma forma de vender e atender a população.

Embora a Associação Brasileiras das Indústrias Ópticas (Abióptica) ainda não tenha divulgado o faturamento de 2020, podemos ter uma noção do desempenho do segmento pelos resultados já apresentados por algumas redes. Em vez de diminuírem o número de unidades frente à crise econômica, elas aumentaram a expansão. Algumas, inclusive, bateram o próprio recorde de franquias comercializadas em um ano. Na própria imprensa é possível encontrar informações sobre marcas que conquistaram mais de 200 novos contratos de franquias em plena pandemia.

Há também uma explicação pertinente para isso. A vacinação da população traz um alívio sanitário e econômico ao país, mas sabe-se que esse processo é lento (ainda mais em uma nação do tamanho do Brasil) e que muitos países têm enfrentado dificuldades para adquirir a quantidade suficiente de vacinas. Além disso, mesmo com a vacinação, especialistas da área estimam que teremos de usar máscara, evitar aglomerações e, eventualmente, passar por novas restrições por mais um ano.

Muitos empreendedores e empresários estão informados sobre isso e avaliando as possibilidades. Nesse contexto, as redes de óticas têm se apresentado como uma ótima oportunidade de investimento, pois prestam um serviço essencial à população e, por isso, no caso de uma nova série de restrições, podem se manter em funcionamento. Essa linha de pensamento fez com que novas unidades fossem abertas – ou pelo menos tivessem pontos garantidos para uma inauguração futura.

Foi por esse motivo também que muitas redes de ótica viram a quantidade de multifranqueados aumentar. Os franqueados passaram por uma crise jamais imaginada e prevista para nossa época, e perceberam que ainda assim era possível manter o negócio em funcionamento e faturar. Por isso, muitos analisaram o rendimento de investimentos e decidiram reinvesti-lo em uma franquia de ótica, mesmo diante de um período repleto de incertezas. A confiança no modelo de negócio, que há décadas se mostra promissor e conta com estudos que atestam a busca da população pela saúde ocular, têm se sobressaído mesmo em um cenário desfavorável à economia – e a tendência é que continue assim, com ou sem pandemia.

*Gustavo Freitas é diretor executivo do Mercadão dos Óculos

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