Fort Lauderdale, último destino dos operadores do PMDB caçados pela Lava Jato

Fort Lauderdale, último destino dos operadores do PMDB caçados pela Lava Jato

Polícia Federal suspeita que lobista Jorge Luz e seu filho Bruno Luz, alvos da Blackout, ser refugiaram na Flórida, na capital dos cruzeiros marítimos, para escapar da Justiça brasileira; Interpol foi alertada sobre ordem de prisão expedida por Moro

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

23 de fevereiro de 2017 | 16h44

BRUNO LUZ QUALIFICA

Batizada popularmente de a “Veneza das Américas”, Fort Lauderdale, no sul da Flórida (EUA), foi o último destino dos lobistas Jorge Luz e Bruno Luz (pai e filho). Desde as 6h desta quinta-feira, 23, a Operação Lava Jato iniciou uma caçada aos dois – que tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça brasileira -, considerados os maiores operadores de propinas do PMDB, no esquema de corrupção na Petrobrás.

Jorge e Bruno Luz são os alvos centrais da 38ª. fase da Lava Jato – batizada de Operação Blackout -, acusados de operarem propinas em cinco contratos da Petrobrás para agentes públicos e políticos do PMDB – entre eles, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Os dois estão na lista vermelha de procurados da Interpol (a polícia internacional).

FLUXO MIGRATORIO LUZ

O apelido da vizinha de Miami se deve aos canais que adentram a cidade espalhando marinas e iates luxuosos estacionados. Destino de muitos brasileiros que viajam à Flórida para fazer compras ou embarcar em cruzeiros nos colossais transatlânticos que encostam em sua orla – a cidade tem um dos maiores portos do mundo, o Everglades -, no Estados Unidos é refúgio de idosos aposentados.

O local foi destino frequente dos alvos da Lava Jato, no último ano, segundo pedido de prisão contra eles apresentados pela Polícia Federal, na Operação Blackout. É o que mostra o levantamento feito com base nos registros de fluxo migratório dos investigados.

BRUNO LUZ RELATORIO PF SOBRE EUA

“Bruno Gonçalves Luz deixou o Brasil em 16 de agosto de 2016, através do voo AD8704, com desstino a Fort Lauderdale/EAU, não existindo registros de seu retorno ao país até então”, informou o delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace, da Lava Jato.

A informação foi anexada ao pedido de prisão do lobista e seu pai, decretada pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba.

Oasis of the Seas, the world's largest and newest cruise ship, navigates through a ship channel as a crowd cheers, headed for its home port nearby in Port Everglades in Fort Lauderdale, Florida as seen from a park in Dania Beach, Florida November 13, 2009. The ship, constructed in Finland, is owned by Royal Caribbean International. REUTERS/Joe Skipper (UNITED STATES BUSINESS TRAVEL SOCIETY)

Fort Lauderdale: passeios / REUTERS/Joe Skipper

No documento, o delegado relata que a “capital dos cruzeiros” para brasileiros foi também o último destino de registro de Jorge Luz. Ele deixou o Brasil no dia 11 de janeiro.

“Os dados do fluxo migratório revelam que ele deixou o país em 11 de janeiro de 2017, após ter ingressado em território nacional em 20 de dezembro de 2016, através do voo AD8705, originário de Fort Lauderdale/FL, nos EUA.”

JORGE RELATORIO PF EUA

Fuga. “Ao que tudo indica, assim como seu filho Bruno Gonçalvez Luz, Jorge Antonio da Silva Luz está residindo no exterior para se furtar da aplicação da lei penal brasileira”, afirma o delegado.

“Melhor análise de seus dados migratórios revelam que, desde o início da fase ostensiva da Operação Lava Jato, o investigado viajou previamente ao menos outras dez oportunidades para o Estado da Flórida, nos EUA.”

O fato é agravado, no caso de Bruno Luz, por ter ele dupla cidadania. O investigado tem passaporte Português e já usou o documento, segundo registro migratório levantado pela Lava Jato, em duas ocasiões para deixar o Brasil.

PACE PEDE PRISAO FUGA EUA

A PF suspeita que os operadores do PMDB estaria morando nos Estados Unidos.

“Ao que tudo indica, os motivos seriam os mesmos que os de seu filho: preparação para furtar-se da aplicação da lei penal, sendo muito possível que ambos tenha até fixado residência na Flórida.

Pace reforça o pedido de prisão dos investigados, feitos pelos procuradores da força-tarefa da Lava Jato, considerando a necessidade da “aplicação da lei penal, uma vez que os investigados evidentemente estão se evadindo da jurisdição brasileira ao permanecerem no exterior, possivelmente nos Estados Unidos da América”.

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.