Formação além da técnica cria os líderes de que o mercado precisa

Formação além da técnica cria os líderes de que o mercado precisa

Fábio Camara*

14 de fevereiro de 2021 | 04h15

Fábio Camara. FOTO: DIVULGAÇÃO

Liderar é dar exemplo. Na própria raiz da palavra, ser líder é ser guia, mostrar o caminho. Já formar é outra palavra interessante. Não quer dizer só “ensinar”, mas, mais que isso, significa “dar certa disposição ao espírito”. Portanto, formar não é só passar um conhecimento prático ou teórico, trata-se de uma influência muito mais profunda e inspiradora do que é possível ver na superfície.

São pessoas com esse potencial dentro delas que queremos trazer para perto de nós na FCamara, para que nós as ajudemos a encontrar o melhor dentro delas e, ao mesmo tempo, elas nos cedam um pouco desse melhor. Com esses conceitos em mente construímos as bases do nosso programa de formação, em que novas pessoas trazem novas ideias e vivências para dentro da empresa, e nós levamos a elas um pouco do nosso jeito de ser.

Essa troca de experiências é que torna possível engajar pessoas num nível mais pessoal e profundo que não se encontra em empresas com hierarquias muito rígidas e fechadas, que não estão abertas a escutar o outro e, assim, acabam se fechando não só a quem chega, mas também às ideias proveitosas que elas podem trazer.

Entendemos o valor da técnica, mas acreditamos que, na verdade, essa é parte mais fácil. Ensinar procedimentos, linguagens de programação, boas práticas de design, tudo isso faz parte da técnica, e formar pessoas que apenas executam tarefas não é nosso objetivo.

Por isso, trazer a formação humana como uma das bases da nossa cultura nos permite criar times coesos que não abrem mão do pensamento crítico. Em outras palavras, são pessoas que remam na mesma direção mirando o mesmo objetivo, mas todos têm a possibilidade de opinar e questionar para que cada braçada seja mais assertiva do que a anterior.

Aliás, uma das vantagens de formar pessoas é poder treiná-las para que priorizem em sua trajetória a excelência na entrega, além do protagonismo e da responsabilidade sobre a própria trajetória – pessoal e profissional –, mostrando como a formação humana num todo é um diferencial de sucesso.

Claro que só treinamento nem sempre é suficiente. Houve um tempo em que, quando via muito potencial em determinada pessoa, eu insistia ao máximo com ela até conseguir extrair aquilo que enxergava. No entanto percebi que essa não é a melhor forma de inspirar alguém a alcançar a minha visão, porque só a própria pessoa é capaz de pegar essa semente lançada e fazê-la germinar para dar bons frutos.

Nesse caminho, claro, buscamos também nos aprimorarmos, entendermos onde podemos melhorar e pensar soluções para que tenhamos pessoas cada vez mais satisfeitas ao nosso lado.

Os chineses têm um ditado que diz: “O professor abre a porta, mas você entra sozinho”. Concordo com ele e discordo dele. Concordo que é preciso mostrar os caminhos por meio da formação, mas discordo que é preciso percorrer esses caminhos sozinho, pelo contrário – o bom líder entende o poder da formação continuada, com feedback e oportunidades de aprendizado a cada curva, a cada parada imprevista e a cada quilômetro conquistado.

Assim são os líderes que formam outros líderes. E é desse tipo de liderança que precisamos urgentemente no mercado.

*Fábio Camara é CEO da FCamara

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