Força-tarefa viaja para Suíça em busca de novas provas contra cartel dos trens

Promotores de Justiça e procuradores da República vão a Berna em dezembro

Redação

13 de novembro de 2014 | 22h12

Por Fausto Macedo

Decisão pode levar à prescrição dos crimes antes do julgamentoFoto: Helvio Romero/Estadão

Autoridades brasileiras vão para Suíça buscar novas provas sobre o cartel. Foto: Helvio Romero/Estadão

Parte para Berna, Suíça, no início de dezembro, uma equipe de promotores de Justiça de São Paulo e procuradores da República. Missão: agilizar a obtenção de provas contra o cartel metroferroviário que, entre 1998 e 2008, conquistou contratos bilionários do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do Metrô do Distrito Federal, segundo a multinacional alemã Siemens.

A força-tarefa foi constituída pela Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo e pela Procuradoria-Geral da República.

Márcio Fernando Elias Rosa, chefe do Ministério Público do Estado de São Paulo, e Rodrigo Janot, chefe do Ministério Público Federal, reuniram-se nesta quinta feira, 13, para definir a formação da equipe e os detalhes para a viagem à Suíça.

A meta é solicitar, via cooperação internacional, todos os documentos relativos aos personagens do conluio, especialmente agentes públicos que se teriam beneficiado de um esquema de pagamento de propinas.

Em 2014, a Suíça já enviou extratos bancários de João Roberto Zaniboni, ex-diretor da CPTM, em cuja conta em Genebra foram depositados US$ 826 mil – para a Promotoria, dinheiro de propina.

A Suíça também liberou papéis que incriminam o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Robson Marinho, mas no âmbito de outra investigação, sobre contrato da área de energia envolvendo a Alstom – multinacional francesa que também integrou o cartel metroferroviário.

A força-tarefa de promotores de Justiça e procuradores da República vai pedir documentos sobre lobistas das multinacionais do cartel que, por meio de empresas de consultoria, teriam realizado o pagamento de propinas.

Os promotores e procuradores estão convencidos de que o caminho mais rápido para identificar os destinatários da corrupção é o acesso aos dados bancários dessas empresas de consultoria.

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, defendeu a “necessidade de uma atuação próxima com as autoridades suíças e com o Ministério Público Federal.”