Força-tarefa de 400 policiais faz buscas em 11 Estados contra grupo suspeito de clonar 3,3 mil viaturas do Exército e 85 servidores do Detran SP são afastados

Força-tarefa de 400 policiais faz buscas em 11 Estados contra grupo suspeito de clonar 3,3 mil viaturas do Exército e 85 servidores do Detran SP são afastados

Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal põem grandes efetivos nas ruas para execução de 82 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão em onze Estados - São Paulo, Minas Gerais, Tocantins, Pará, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraíba, Ceará, Paraná, Pernambuco e Maranhão

Redação

24 de fevereiro de 2022 | 09h38

Operação Fiat Lux cumpre mandados de busca e apreensão e prisão em 11 Estados. Foto: Polícia Federal/Reprodução

A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal deflagraram uma operação conjunta nesta quinta-feira, 24, contra uma suposta organização criminosa investigada por clonar 3.300 viaturas do Exército. Segundo a PF, tais adulterações fazem parte de um total de 10 mil fraudes que foram identificadas pela força-tarefa.

Batizada ‘Fiat Lux’, a ofensiva aberta nesta manhã cumpre 82 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão em onze Estados: São Paulo, Minas Gerais, Tocantins, Pará, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraíba, Ceará, Paraná, Pernambuco e Maranhão.

Mais de 400 agentes participam da operação, que também conta com apoio logístico de equipes do Exército e da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo. Os investigados poderão responder pelos crimes de inserção de dados falsos, financiamento fraudulento, lavagem de dinheiro e organização criminosa, diz a PF.

A Justiça Federal ainda determinou o afastamento de 95 servidores do Detran – 85 servidores da unidade paulista do órgão; sete, do Tocantins; e três de Minas Gerais. Além deles, 20 despachantes foram afastados de suas funções em São Paulo.

As investigações que culminaram na ofensiva aberta nesta manhã tiveram início no final de 2020, após a identificação da clonagem de veículos do Exército. De acordo com a PF, os números dos chassis eram utilizados ilegalmente “de forma a tentar ‘legalizar’ veículos oriundos de roubo ou furto”.

Os investigadores dizem que as ‘clonagens’ dos chassis do Exército “só foram possíveis porque contaram com a participação de servidores do Detran e de despachantes”.

Além da clonagem de veículos, a PF também informou ter identificado indícios de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, em que veículos ‘criados’ dentro do Sistema Federal da Secretaria Nacional de Trânsito eram dados como garantia em operações financeiras.

De acordo com a corporação, servidores do Detran sob suspeita ‘criavam’ veículos fictícios, que existiam apenas no Senatran, permitindo a realização de financiamentos e a participação em consórcios com base na falsificação.

A ofensiva aberta na manhã desta quinta-feira ainda investiga supostos crimes fiscais. Segundo a Polícia Federal, as apurações indicaram que servidores do Detran e despachantes inseriam, no Senatran, automóveis comprados na Zona Franca de Manaus – com isenção de PIS e Confins – e emplacavam indevidamente esses carros em São Paulo para burlar a fiscalização.

Os investigadores apontam que, com tal prática, o abatimento ilegal de cada veículo – em sua maioria caminhonetes – era de R$ 30 mil a R$ 40 mil. Posteriormente, os veículos eram revendidos sem recolhimento dos impostos. A Polícia Federal identificou o uso de documentos falsificados em aproximadamente 300 automóveis.

“O prejuízo causado pelas fraudes veiculares identificadas pela investigação soma mais de R$ 500 milhões, sendo que em 10 meses de atuação foram recuperados R$ 35 milhões em veículos, entre eles: caminhões, caminhonetes e automóveis de luxo”, diz a PF.

COM A PALAVRA, O DETRAN DE SÃO PAULO

“O Detran informa que todos os servidores públicos foram afastados imediatamente das funções de registro de veículos, fiscalização correlata, vistoria ou emplacamento. Houve ainda a imediata suspensão dos despachantes citados na intimação de iniciar processos de registros de veículos, realizar o emplacamento ou realizar laudos de vistoria. Foram inativados 20 despachantes.

A autarquia promoveu também a imediata suspensão de uma franqueada da empresa Dekra Vistorias e Serviços de realizar laudos de vistoria para o Detran.SP. Por último, o Detran.SP determinou o bloqueio imediato de acesso aos sistemas informatizados do Detran de veículos dos servidores, despachantes e de uma franqueada da empresa Dekra.”

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