Força-tarefa diz que Vaccari já operava propinas antes de virar tesoureiro do PT

Força-tarefa diz que Vaccari já operava propinas antes de virar tesoureiro do PT

Em 2008, João Vaccari Neto insistiu com executivo de empreiteira para repassar R$ 4,26 milhões em forma de doação eleitoral para o partido, segundo procuradores

Redação

15 Abril 2015 | 15h40

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

A Procuradoria da República afirma que o tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso na manhã desta quarta feira, 15, em São Paulo, já recebia propinas disfarçadas em doações eleitorais para o partido via esquema de corrupção na Petrobrás “antes mesmo de passar a ocupar o cargo”. A constatação da força tarefa da Operação Lava Jato derruba versão recorrente de Vaccari. Cercado pela intensa investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, o tesoureiro tem declarado que assumiu o posto de secretário de finanças da agremiação apenas em 2010 e que, portanto, antes disso não poderia ter pleiteado doações das empreiteiras que formaram cartel na Petrobrás.

Vaccari. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Vaccari. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Os procuradores citam caso concreto para sustentar que Vaccari já operava antes de chegar à tesouraria do PT. Eles destacam que Vaccari agia em parceria com Renato Duque, então diretor de Serviços da estatal petrolífera, preso pela Operação Lava Jato. Segundo os procuradores, “parte das vantagens ilícitas destinadas por Augusto Mendonça (executivo da Setal Óleo e Gás e delator da Lava Jato) à Diretoria de Serviços foi repassada ao PT mediante indicações de Renato Duque e João Vaccari Neto, sob o disfarce de ‘doações oficiais’, por meio das empresas PEM, Projetec e SOG”.

A força tarefa descobriu que os repasses de propinas foram executados no período entre 23 de agosto de 2008 e 8 de março de 2012, totalizando a quantia de R$ 4,26 milhões.

“João Vaccari Neto, antes mesmo de passar a ocupar o cargo de tesoureito nacional do PT, mas também durante o período em que ocupou este cargo, foi responsável em conjunto com o ex-diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque, por receber em nome desta agremiação, mediante doações eleitorais oficiais, uma boa parte da propina dirigida à Diretoria de Serviços da Petrobrás”, assinala a força tarefa.

Já na condição de tesoureiro, Vaccari recebeu o executivo ma sede do PT em São Paulo. Foi durante uma dessas reuniões, segundo Augusto Mendonça, que o tesoureiro lhe pediu R$ 2,5 milhões, entre 2010 e 2013, para a Editora Gráfica Atitude, ligada ao PT.

Mendonça diz que pediu a Vaccari parcelamento da propina “para não comprometer o caixa de suas empresas”. O rastreamento das contas das empresas do executivo mostram 14 repasses que somaram R$ 1.501.600 entre 29 de junho de 2010 e 19 de agosto de 2013.

No dia 16 de março, o Ministério Público Federal requereu à Justiça a prisão preventiva de Vaccari. Naquele primeiro momento o juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, pediu mais informações aos procuradores. No dia 3 de abril, o MPF voltou à carga e reiterou o pedido de prisão preventiva de Vaccari, requerendo também a prisão temporária e busca e apreensão em relação à cunhada do tesoureito, Marice Correa de Lima, e a condução coercitiva da mulher de Vaccari, Giselda Rousie Lima, e da filha do casal Nayara Vaccari.

“A prisão preventiva de João Vaccari Neto foi decretada pela necessidade de interromper a prática habitual, profissional e sofisticada de uma sucessão de crimes, bem como pela gravidade concreta dos delitos, envolvendo milhões de reais, nos quais intensamente participou, além da necessidade de assegurar que não exerça influências políticas que atrapalhem as investigações, diante de seu cargo, que foi mantido mesmo após acusações criminais”, assinalam os procuradores.