Força-tarefa da Lava Jato vê ‘evidências de crimes’ de Temer e Aécio

Força-tarefa da Lava Jato vê ‘evidências de crimes’ de Temer e Aécio

Procuradores da República do Paraná argumentam que 'depois de três anos do início das investigações, vê-se que líderes políticos continuam a tramar no escuro a sua anistia, a colocação de amarras nas investigações e a cooptação de agentes públicos'

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Luiz Vassallo

22 de maio de 2017 | 18h54

Aécio Neves e Michel Temer. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A força-tarefa da Operação Lava Jato, no Paraná, apontou ‘evidências de crimes’ do presidente Michel Temer e do senador Aécio Neves (PSDB-MG) no caso JBS. A Procuradoria da República se manifestou em nota relativa à denúncia contra o ex-presidente Lula por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do sítio de Atibaia. Os procuradores não citaram nominalmente Temer e Aécio.

“Os últimos acontecimentos, aliás, levam a força-tarefa da Lava Jato a manifestar seu estarrecimento diante da gravidade dos crimes que se tornaram públicos. De fato, recentemente, vieram à tona evidências de crimes atuais praticados pelo presidente da República e por senador então presidente de um dos maiores partidos políticos”, assinalam os procuradores.

A menção a Temer e Aécio – alvos de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) – não faz parte da denúncia contra Lula. O peemedebista e o tucano tem foro privilegiado no STF e não podem ser investigados na 1ª instância judicial no Paraná.

No texto em que divulgam a nova denúncia contra Lula, os procuradores aproveitaram para apontar ‘indícios de manobras para ferir de morte a Lava Jato’.

“Depois de três anos do início das investigações, vê-se que líderes políticos continuam a tramar no escuro a sua anistia, a colocação de amarras nas investigações e a cooptação de agentes públicos, ao mesmo tempo em que ficam livres para desviar o dinheiro dos brasileiros em tempos de crise, utilizando como escudo sua imunidade contra prisão e o foro privilegiado”, destaca a Lava Jato.

Os procuradores não atribuem ao petista essas ‘manobras’.

Eles fazem uma citação expressa à maior crise do Governo Temer, deflagrada a partir da delação premiada dos executivos da JBS. Esta investigação mostra que pelo menos 1.800 políticos teriam recebido dinheiro do Grupo.

“Tanto os fatos que são objeto da denúncia apresentada nesta data, como os novos fatos que se tornaram públicos na última semana, são manifestações de um mesmo problema, o apodrecimento do sistema político-partidário”, observa a Procuradoria.

“A força-tarefa da Lava Jato se coloca ao lado dos milhões de brasileiros indignados com essas práticas e que farão de tudo, debaixo da Constituição e da Lei, para enfrentar a corrupção.”

O presidente e o tucano são investigados por corrupção passiva, obstrução da investigação e participação em organização criminosa.

Aécio e também o deputado Rocha Loures (PMDB-PR) foram afastados de seus mandatos por ordem do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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