Folha de antecedentes criminais de Sérgio Cabral

Folha de antecedentes criminais de Sérgio Cabral

Documento traz polegar direito e duas fotos do peemedebista em momentos distintos de sua vida e carreira - quando era um cidadão livre e, agora, prisioneiro de Bangu 8

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

13 Março 2017 | 06h25

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Na folha de antecedentes criminais de Sérgio de Oliveira Cabral Santos Filho, duas imagens que refletem dois momentos distintos na vida do ex-governador do Rio. O documento do Departamento de Polícia Técnico-Científica, da Secretaria de Segurança Pública do Rio, traz a digital do polegar direito e duas fotos de Cabral, prisioneiro de Bangu 8, alvo de seis acusações formais do Ministério Público Federal – cinco denúncias da Procuradoria no Rio e uma da Procuradoria de Curitiba.

Em uma foto ele veste terno e gravata. Na outra, o uniforme verde da cadeia.

Os dados foram anexados ao processo que o peemedebista responde na Operação Calicute, na 7.ª Vara Federal Criminal do Rio.

Sérgio Cabral está preso desde novembro por suspeita de recebimento de uma mesada de R$ 850 mil das empreiteiras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia no presídio de Bangu 8.

AS ACUSAÇÕES CONTRA SÉRGIO CABRAL

1) 5 de dezembro de 2016

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral e outros 12 investigados são acusados de se associarem ‘para cometer corrupção e lavagem de dinheiro usando obras do governo do estado que receberam recursos federais a partir de 2007’. A força-tarefa Lava Jato no Ministério Público Federal do Rio denunciou o ex-governador, dois ex-secretários – Wilson Carlos (Governo) e Hudson Braga (Obras) –, a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo e outros membros da organização criminosa liderada por Cabral. Na ação, os procuradores da força-tarefa denunciam o grupo pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa nas obras para a urbanização em Manguinhos (PAC Favelas), construção do Arco Metropolitano e reforma do estádio do Maracanã para a Copa de 2014.

2) 15 de dezembro de 2016

O Ministério Público Federal, no Paraná, imputa crimes de corrupção e lavagem de dinheiro ao ex-governador do Rio. São atribuídos ao peemedebista propina de R$ 2,7 milhões paga pela empreiteira Andrade Gutierrez para execução das obras de terraplanagem do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobrás. Também foram denunciados Adriana Ancelmo, Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho, Mônica Araújo Carvalho, Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, Rogério Nora de Sá e Clóvis Numa Peixoto Primo.

A denúncia relata que Sérgio Cabral buscou, junto aos executivos da empreiteira Andrade Gutierrez, um percentual de propina correspondente a 1% da participação da empresa no Consórcio Terraplanagem. Em contrapartida ao pagamento da vantagem indevida, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa se omitiu em relação a práticas cartelizadas da Andrade Gutierrez em licitações e contratos com a estatal. Da mesma forma, Sérgio Cabral e Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho, ex-secretário de Governo do Rio de Janeiro) também se omitiram em relação a contratos celebrados pela empreiteira com o Estado do Rio de Janeiro, de modo a não atrapalhar o funcionamento do cartel, bem como beneficiavam a empreiteira no exercício de suas funções.

3) 10 de fevereiro de 2017

A Procuradoria da República, no Rio, denunciou à 7ª Vara Federal o empresário Eike Batista, o ex-governador Sérgio Cabral e outros sete investigados por corrupção e lavagem de dinheiro. Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo, Wilson Carlos e Carlos Miranda foram denunciados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; Eike Batista e Flávio Godinho por corrupção ativa e lavagem de dinheiro; e Luiz Arthur Andrade Correia, Renato Chebar e Marcelo Chebar por lavagem de dinheiro. Cabral e os irmãos Chebar também foram denunciados por evasão de divisas, por manterem recursos não declarados no exterior.

De acordo com a denúncia, Eike Batista pagou US$ 16,5 milhões em propina a Sérgio Cabral em 2011. Para realizar a transação, o doleiro Renato Chebar, a mando de Cabral, criou a offshore Arcadia Associados, que assinou um contrato fictício de “aconselhamento e assistência” com a Centennial Asset Mining Fund LLC, holding de Eike Batista, para a possível aquisição de uma mina de ouro da empresa Ventana Gold Corp. Pela falsa intermediação, a Arcadia receberia da Centennial uma comissão de 1,12% do valor da transação. O valor da propina foi pago parte em dinheiro (US$ 4,7 milhões), parte em ações da Petrobrás, Vale e Ambev adquiridas nos EUA. Os recursos teriam sido transferidos de uma conta de Eike no Panamá, a Golden Rock Foundation, para a conta Arcadia, aberta por Renato Chebar no Banco Winterbotham, do Uruguai, para receber os valores.

4) 13 de fevereiro de 2017

O ex-governador é acusado por 184 crimes de lavagem de dinheiro. A denúncia da Procuradoria da República, no Rio, aponta que doleiros faziam parte da organização como operadores financeiros e recebiam de outros investigados dinheiro em espécie oriundo de crimes de corrupção. Delatores do esquema forneceram uma planilha de controle de caixa que aponta que os recursos por eles custodiados foram utilizados para pagamentos de despesas, no peri?odo de 1º de agosto de 2014 a 10 de junho de 2015, no valor de R$ 39.757.947,69 – uma me?dia de R$ 4 milhões por me?s.

“As provas reunidas nas Operações Calicute e Eficiência comprovaram que Se?rgio Cabral, no comando da organizac?a?o criminosa, Carlos Miranda, Carlos Bezerra, Se?rgio de Oliveira, Thiago Araga?o, Adriana Ancelmo, A?lvaro Novis, Francisco de Assis Neto, Ary Ferreira da Costa Filho e os colaboradores promoveram a lavagem de ativos, no Brasil, por meio de sete formas principais: com o pagamento, no Rio de Janeiro, de despesas pessoais de Se?rgio Cabral e seus familiares; com o pagamento, no Rio de Janeiro, de despesas pessoais de Carlos Miranda e seus familiares; com a movimentac?a?o de recursos ili?citos, no Rio de Janeiro, para Carlos Bezerra; com a distribuic?a?o de recursos ili?citos, no Rio de Janeiro, por Se?rgio de Oliveira; com o envio de valores ili?citos, no Rio de Janeiro, para Thiago Araga?o; com o envio de valores ili?citos, no Rio de Janeiro, para Francisco de Assis Neto; com a entrega de valores ili?citos, no Rio de Janeiro, por A?lvaro Novis aos colaboradores”, apontou o Ministério Público Federal.

5) 20 de fevereiro de 2017

Sérgio Cabral, o ex-assessor da Casa Civil do Governo do Rio de Janeiro Ary Filho, e Carlos Miranda, apontado como um dos operadores financeiros do esquema, são acusados pelo Ministério Público Federal pelo crime de lavagem de dinheiro. Ary Filho também foi denunciado por pertencer à organização criminosa.

A nova denúncia do Ministério Público Federal, resultado da Operação Mascate, aponta que Sérgio Cabral, Ary Filho e Carlos Miranda se valeram de três formas distintas para promover a lavagem de ativos em 148 oportunidades: transferências bancárias de empresas de um colaborador para a empresa GRALC/LRG Agropecuária, de propriedade de Carlos Miranda, com a justificativa de prestação de serviços de consultoria inexistente; compra de veículos para a organização criminosa pelas empresas de um colaborador; compra de imóveis da organização criminosa pela empresa de um colaborador.

6) 7 de março de 2017

A Procuradoria da República, no Rio, denunciou Sérgio Cabral à 7ª Vara Federal por 25 crimes de evasão de divisas, 30 crimes de lavagem de dinheiro e 9 crimes de corrupção passiva. Além do ex-governador, também foram denunciados: Carlos Miranda (25 crimes de evasão de divisas e 21 crimes de lavagem de dinheiro), Wilson Carlos (25 crimes de evasão de divisas e 18 de lavagem de dinheiro), Sérgio Castro de Oliveira – Serjão (8 crimes de evasão de divisas), Vinicius Claret – Juca (25 crimes de evasão de divisas, 9 de corrupção passiva, 9 de lavagem de dinheiro e crime de pertencimento à organização criminosa), Claudio de Souza – Tony/Peter (25 crimes de evasão de divisas, 9 de corrupção passiva, 9 de lavagem de dinheiro e crime de pertencimento à organização criminosa) e Timothy Scorah Lynn (9 crimes de corrupção ativa e 9 de lavagem de dinheiro).

“Sérgio Cabral e sua organização criminosa ocultaram e lavaram: 1) R$ 39.757.947,69 movimentados e guardados no Brasil; 2) US$ 100.160.304,90 depositados em dinheiro em contas no exterior; 3) € 1.214.026,13 ocultados sob a forma de diamantes, guardados em cofre no exterior; 4) US$ 1.054.989,90 ocultados sob a forma de diamantes, guardados em cofre no exterior e; 5) US$ 247.950,00 ocultados sob a forma de quatro quilos e meio de ouro, guardados em cofre no exterior. O total ocultado no exterior corresponde a R$ 318.554.478,91 que representa apenas parte do que amealharam dos cofres públicos, por meio de um engenhoso processo de envio de recursos oriundos de propina para o exterior”, acusa a Procuradoria.

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