Flexibilização da quarentena exige atenção

Sérgio Giro*

06 de julho de 2020 | 08h30

Nos últimos dias, ouvi de alguns médicos que a contaminação do novo coronavírus vem, aos poucos, diminuindo a ponto de determinados hospitais estarem com algumas vagas em seu centro de terapia intensiva (CTI). E há levantamentos que corroboram com esta visão. Segundo uma pesquisa realizada pelo IESPA (Instituto de Ensino e Pesquisa na Área da Saúde), desde o fim de maio, houve uma queda de 15% nos casos de Covid-19 nos hospitais particulares.

O surgimento de novos casos pode até não estar em um crescimento exponencial como antes, há alguns indícios de que a situação se estabilizou, mas devemos ficar atentos às experiências já vividas por outros países, que após um período de estabilidade os casos voltaram a crescer.

É preciso ser levado em conta alguns pontos importantes com a flexibilização da quarentena, como o controle da pandemia, a capacidade do sistema de saúde de enfrentar um eventual surto de novos infectados e do sistema de vigilância em saúde para detectar esses casos, incluindo assintomáticos. Os hospitais públicos ainda estão cheios, e os particulares podem voltar a lotar.

Quando falamos dos hospitais públicos, existe uma superlotação histórica. Um levantamento realizado pelo Tribunal de Contas da União mostrou que 60% dos hospitais públicos estão sempre superlotados. Com a Covid-19 esse problema se acentuou.

Devemos considerar também que o retorno ao trabalho, principalmente para a população mais carente, ainda é arriscado. Além de ser um País populoso, muitos não têm acesso a um saneamento básico adequado, utilizam de transporte público para locomoção, sem contar os impactos psicológicos que já estão afetando muitas pessoas. O retorno deverá ser gradativo e as empresas precisam tomar certas medidas para assegurar a saúde e bem-estar de seus colaboradores e clientes. Profissionais que podem exercer suas atividades normalmente de casa devem continuar atuando de forma remota para ajudar a garantir a segurança de quem necessita sair para trabalhar.

Todos os cuidados que já temos tomado, como o uso de máscara, higienização das mãos e uso contínuo do álcool em gel, deve permanecer por muito tempo. A conscientização das pessoas em olhar pra sua saúde e cuidá-la com atividade física, produtos que melhoram o sistema imunológico também deve aumentar ainda mais. O Brasil está longe de ter uma imunidade coletiva que possa garantir o desaparecimento da transmissão desse vírus.

Assim, por mais que a taxa de novos casos nos hospitais particulares tenha caído e que tenhamos uma estabilidade na curva, os impactos sobre o sistema de saúde ainda são preocupantes. É momento de sermos extremamente cuidadosos para voltarmos e focados na medida de distanciamento. Se continuarmos unidos e cautelosos, poderemos controlar essa doença com sucesso e, aos poucos, conseguiremos retornar às nossas atividades com maior segurança.

*Sérgio Giro é cofundador e sócio da OfficiLab e Dermatus

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