Fiscais do Trabalho resgatam oito ‘escravos’ em fazenda no Pará

Fiscais do Trabalho resgatam oito ‘escravos’ em fazenda no Pará

Fazendeiro foi preso por ameaças com armas de fogo a trabalhadores, inclusive dois adolescentes, e por supostamente tentar subornar auditores durante percurso até a Delegacia da Polícia Federal

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

26 de janeiro de 2019 | 12h04

Foto: Secretaria de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia

Oito trabalhadores, dois deles adolescentes, que estavam submetidos à condição análoga à de escravo foram resgatados pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) em Medicilândia, no interior do Pará, região de Altamira – a 900 quilômetros de Belém -, em operação fiscal iniciada no dia 15 e finalizada nesta sexta, 25.

A ação envolveu fiscalizações no interior e no entorno da Reserva Extrativista Verde para Sempre, numa propriedade localizada às margens do rio Jarauçu, onde ocorre a criação de gado bovino para corte, informou a Secretaria de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

Foto: Secretaria de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia

A operação teve a participação de representantes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Polícia Militar do Pará.

Os auditores-fiscais do Trabalho conduziram o empregador à Delegacia da Polícia Federal em Altamira (PA), ‘em razão do flagrante de trabalho escravo e posse ilegal de armas de fogo, utilizadas para ameaçar os trabalhadores’.

Foto: Secretaria de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia

O fazendeiro recebeu voz de prisão em flagrante também pelo crime de corrupção ativa. Segundo os auditores, durante o percurso até a delegacia da PF, ele ‘tentou subornar os servidores que o conduziam’.

A Justiça Federal decretou a prisão preventiva do fazendeiro.

A equipe de fiscalização constatou ainda que o pagamento de salários não era realizado, ‘o que caracterizou servidão por dívida’.

“Os trabalhadores eram obrigados a adquirir alimentos e itens básicos de subsistência no estabelecimento comercial do empregador, sem que houvesse ciência e controle dos preços praticados, muito superiores aos da própria região, permanecendo em constante e inafastável endividamento”, explicou o coordenador da ação fiscal, o auditor-fiscal do Trabalho Magno Riga.

Foto: Secretaria de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia

Ele ressalta que foi considerado determinante o isolamento em que se encontravam os trabalhadores, uma vez que a localidade, Porto de Moz, é acessível somente pelo rio Jarauçu e fica a quatro dias da zona urbana mais próxima.

Constatadas as irregularidades, foi determinada pela auditoria a regularização da situação dos trabalhadores, com o pagamento de todos os salários devidos e demais direitos previstos na legislação. Todos os trabalhadores resgatados receberão parcelas do seguro desemprego a que têm direito, informou a Secretaria de Previdência e Trabalho.

Tudo o que sabemos sobre:

Trabalho Escravo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.