Filho de Perrella sacou R$ 103 mil um dia depois de repasse da JBS, diz Coaf

Filho de Perrella sacou R$ 103 mil um dia depois de repasse da JBS, diz Coaf

Conselho de Controle de Atividades Financeiras considerou suspeitas transações na conta de empresa do senador Zezé Perrella na data e no dia seguinte à entrega da mala de R$ 500 mil da JBS ao primo de Aécio Neves, Frederico Pacheco, o Fred

Luiz Vassallo e Julia Affonso

31 de maio de 2017 | 05h00

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) – órgão ligado ao Ministério da Fazenda responsável por rastrear transações suspeitas – comunicou à Procuradoria Geral da República que o filho de Zezé Perrella, Gustavo Perrella, sacou R$ 103 mil no dia 13 de abril da conta da empresa Tapera Participações.

O levantamento do dinheiro ocorreu um dia depois da entrega de mala de R$ 500 mil da JBS ao primo de Aécio Neves, Frederico Pacheco, o Fred, que repassou o montante ao assessor de Zezé Perrella, Mendherson Souza. Naquele período, o órgão flagrou Mendherson provisionando a retirada de R$ 103 mil, em espécie, da conta da Tapera, junto à agência bancária, que foi sacada posteriormente pelo filho de Perrella. Saques volumosos usualmente necessitam de uma solicitação prévia – classificada como ‘provisionamento’ -, já que as instituições financeiras não disponibilizam, no dia-a-dia, valores altos em dinheiro vivo a serem retirados.

O Ministério Público Federal suspeita de que a Tapera tenha sido a destinatária de parte dos R$ 2 milhões solicitados por Aécio a Joesley Batista, da JBS.

O relatório do Coaf é mais um dos indícios levantados pelos procuradores de que o montante tenha ido parar na empresa que tem como sócio o filho de Zezé Perrella. O órgão de controle de transações financeiras revelou saques e depósitos suspeitos na data e nos dias posteriores à ação controlada na qual o assessor de Perrella foi flagrado recebendo dinheiro do primo de Aécio Neves, que, por sua vez, havia pego a mala com os valores em espécie do diretor de Relações Institucionais da J&F, Ricardo Saud.

De acordo com os relatórios do Coaf entregues às autoridades no âmbito de inquérito que investiga Aécio Neves (PSDB-MG) por suposta propina de R$ 2 milhões da JBS, entre 12 e 13 de abril, logo após ter recebido o dinheiro em espécie de Fred, Mendherson Souza, assessor de Zezé, fez um pedido de ‘provisionamento’ para saque de R$ 103 mil na conta da Tapera Participações – apontada pelo Ministério Público Federal como receptora dos valores supostamente solicitados por Aécio a Joesley.

Atualmente, Gustavo Perrella é sócio da Tapera, segundo dados da Receita. O relatório do Coaf revela que a conta da empresa é movimentada pelo servidor do gabinete de Zezé Perrella e a defesa do senador confirmou ao Estado que a empresa é controlada pelo parlamentar tucano.

Gustavo sacou R$ 103 mil reais da conta da empresa um dia depois de o funcionário de seu pai no Congresso provisionar, também, aproximadamente a mesma quantia – data em que também foi flagrado pela Polícia Federal pegando uma mala de dinheiro de Fred, o primo de Aécio.

Já no dia 27 de abril, o Coaf registra um depósito, em espécie, feito por Gustavo, no valor de R$ 220 mil, também na conta bancária da Tapera. As transações constam em uma agência em Belo Horizonte.

Mendherson também levou R$ 480 mil à casa da sogra, quando soube do estouro da Operação Patmos, segundo relatórios de busca e apreensão da PF em endereços ligados a ele.

Ele carregou as duas sacolas recheadas de notas de R$ 100 até a cidade de Nova Lima, na região Metropolitana de Belo Horizonte, onde vive sua sogra, Azelina.

O relatório da PF dá conta de que Azelina ficou com os recipientes ‘sem que soubesse do seu conteúdo’. As sacolas estavam em um quarto da residência da sogra de Mendherson, segundo relatou a PF.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, QUE DEFENDE GUSTAVO E ZEZE PERRELLA

“Há um erro evidente de interpretação. o Gustavo nunca fez nenhum saque e nenhum depósito na Tapera. Na verdade, vamos comprovar que o que houve foi um empréstimo que tem inclusive as duas notas promissórias que foram feitas por Zeze e Euler, e o dinheiro foi depositado na Tapera. O Gustavo, há um ano e meio, está licenciado da Tapera. ele sequer sabia que banco a tapera funcionava, ele não tem nenhuma responsabilidade com a Tapera. Ele nunca tinha ido à sede desta empresa. Então, há um erro de interpretação, nós temos como comprovar. O Gustavo não fez nenhum depósito, nem saque. Vamos comprovar que foram feitos outros empréstimos que Zeze Perrella pegou, que, infelizmente é contemporâneo aos fatos, um pouco anterior, infelizmente, e esse empréstimo, temos a comprovação documental e também o pagamento de uma fazenda que Zeze vendeu, que está documentalmente comprovada. Inclusive, estamos pedindo uma cópia de uma cautelar, porque tem uma ligação do Zeze Perrella, que ele faz na noite anterior, quando saiu a notícia do Lauro Jardim, quando começaram a procurar o Zeze Perrela. Ele liga para o Mendherson e fala: ‘Mendherson, que história é essa? Você depositou um dinheiro de empréstimo do senador Aécio na minha conta? Ele respondeu: ‘não, não esquenta, não! Isso é uma confusão’. Ele dá uma chamada de atenção porque o Mendherson é uma pessoa de absoluta confiança dele. Ou seja, infelizmente, Zeze Perrella não tem nenhuma relação com esse dinheiro, infelizmente foi envolvido nisso por ter uma infelicidade de ter uma relação com o Euller e com o Mendherson, que é uma pessoa de absoluta confiança dele. Não era só assessor parlamentar, mas era o homem responsável por essa empresa, a Tapera, que cuidava de algumas questões do Zeze. Na relação desse empréstimo de R$ 2 milhões. nenhum centavo foi para a conta da Tapera. O que eu estou dizendo sobre o Mendherson ter feito as movimentações, e não o Gustavo, está no relatório do Coaf”.

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