Filho de ministro do TCU é alvo de 4ª fase da Registro Espúrio

Filho de ministro do TCU é alvo de 4ª fase da Registro Espúrio

O escritório de advocacia e a casa de Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, são alvos de busca e um dos seus sócios, Bruno Galiano, tem contra ele pedido de prisão temporária

Fabio Serapião / BRASÍLIA

18 Setembro 2018 | 07h57

Tiago Cedraz. Foto: Reprodução

O advogado Tiago Cedraz é um dos alvos dos mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da 4.ª fase da Operação Registro Espúrio. Ele é filho do ministro Tribunal de Contas da União (TCU) Aroldo Cedraz.

A nova etapa da investigação tem como objetivo apurar desvios de valores da Conta Especial Emprego e Salário (CEES). A conta é abastecida com dinheiro da contribuição sindical.

Segundoa PF, o grupo criminoso alvo da ação atuava “junto a entidades interessadas em obter fraudulentamente restituições de contribuições sindicais recolhidas a mais ou indevidamente da CEES”.

O escritório de advocacia e a casa de Cedraz são alvo de busca e um dos seus sócios, Bruno Galiano, tem contra ele pedido de prisão temporária. O advogado é secretário de Assuntos Jurídicos do Solidariedade, partido do deputado federal Paulinho da Força. O chefe de gabinete do deputado, Marcelo Cavalcanti foi preso pela PF em São Paulo.

Os policiais federais cumprem 16 mandados de busca e apreensão e 9 mandados de prisão temporária expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. As medidas cautelares são cumpridas em Brasília, Goiânia, Anápolis, São Paulo e Londrina.

Cedraz foi citado algumas vezes na Lava Jato e chegou a ser alvo de condução coercitiva na 45.ª fase da operação, a Abate II,  por suspeita de recebimento de propinas de contrato da empresa norte-americana Sargeant Marine com a Petrobrás.

O advogado também foi citado em depoimento de delação premiada do dono da UTC Participações, Ricardo Pessoa. Conforme o empresário, Tiago receberia pagamentos de R$ 50 mil mensais para repassar à empreiteira informações do TCU que envolvessem seus interesses.

Tiago teria sido contratado pela UTC para atuar num caso sobre a Usina de Angra 3, que discutia licitação para obras de R$ 2 bilhões. Por esse caso, o escritório dele teria negociado pagamento de R$ 1 milhão.

Registro Espúrio. A Registro Espúrio teve sua primeira fase deflagrada no dia 30 de maio para investigar suposta organização criminosa formada por políticos, lobistas, dirigentes de sindicatos e funcionários públicos que atuavam na negociação para liberar registro sindical pelo Ministério do Trabalho.

A operação teve outras duas fases. Na segunda, a PF realizou busca e apreensão no gabinete da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha de Roberto Jefferson. A terceira fase resultou no afastamento do então ministro do Trabalho, Helton Yomura.

Balanço:

16 mandados de busca e apreensão cumpridos

7 mandados de prisão temporária cumpridos

Goiânia: 2 (dois) mandados de busca e apreensão e 1 (uma) prisão temporária;

Londrina: 2 (dois) mandados de busca e apreensão e 1 (uma) prisão temporária;

São Paulo: 1 (um) mandado de busca e apreensão e 1 (uma) prisão temporária;

Anápolis: 1 (um) mandado de busca e apreensão e 1 (uma) prisão;

Distrito Federal: 10 (dez) mandados de busca e apreensão e 03 (três) prisões;

COM A PALAVRA, CEDRAZ ADVOGADOS

O escritório Cedraz Advogados externa sua profunda indignação com os abusos cometidos na data de hoje. Não existe qualquer imputação de conduta ilícita ao advogado Bruno Galiano, nenhuma oferta de vantagem nem valores, o qual apenas realizava a sua atuação profissional com a garra e o empenho que lhe são característicos. O depoimento do Sr Renato Araújo deixa claro que sequer conhece o advogado Tiago Cedraz. As reuniões sobre o assunto defendido pelo escritório se deram com a transparência e formalidade necessárias sempre na presença do MPT, AGU, Caixa e MTB. Estes mesmos órgãos reconhecem no relatório final produzido a ocorrência do prejuízo aos clientes do escritório. O escritório confia no esclarecimentos dos fatos e espera que prevaleça a lei acima de qualquer perseguição pessoal.

COM A PALAVRA, BRUNO GALIANO

Na oportunidade que estive na presença do Sr Renato Araújo, fiz na condição de advogado dos meus clientes, para reclamar e exigir que fosse dado o devido cumprimento ao termo de mediação firmado pela União Federal, MTE, AGU e Caixa diante do Ministério Público do Trabalho, quando foi reconhecido por todas as partes signatárias que a União desviou mais de 1 bilhão de reais de recursos pertencentes à entidades sindicais de todo Brasil. A alteração da portaria era uma das obrigações do MTE assumida diante da mediação conduzida pelo MPT e não estava sendo cumprida em razão de mais uma troca de Ministro do Trabalho. A centralização do procedimento na secretaria-executiva foi uma decisão do grupo de trabalho, regularmente constituído,  que formulou a minuta de portaria diante da constatação da pluralidade de manifestações contraditórias e incompatíveis exaradas por cada Superintendência Regional. Por isso, por nunca ter cometido qualquer ato ilegal na representação dos meus clientes,  nunca prometi qualquer vantagem a quem quer que seja, causa indiganação ser citado por um servidor público corrupto que foi preso por comercializar pareceres técnicos para dezenas de pessoas e que agora distorce conversas a fim de tentar dar conotação ilegal a atos legítimos e habituais do exercício profissional.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ROBERTO PAGLIUSO

O criminalista Roberto Pagliuso, que defende Marcelo Cavalcanti, não se manifestou porque ainda não teve acesso aos autos.