Filho de Flordelis pede a Toffoli acesso ao inquérito sobre assassinato do pastor Anderson

Filho de Flordelis pede a Toffoli acesso ao inquérito sobre assassinato do pastor Anderson

Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA e Luiz Vassallo/SÃO PAULO

01 de julho de 2019 | 19h00

Flordelis. Foto: Wilton Junior/ESTADÃO

O filho da deputada federal Flordelis (PSD) pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, para que conceda a ele acesso ao inquérito sobre a morte do pastor Anderson do Carmo. Ele é suspeito de ter participado do crime.

O advogado Eduardo Mayr reclama de vazamentos da investigação. Segundo ele, ‘da analise do material juntado, resta claro que o próprio Governador do Estado do Rio de Janeiro teve conhecimento do teor das investigações, uma vez que deu entrevista e detalhes sobre o caso’.

“Poder-se-ia juntar reportagens às centenas dando conta de vazamento de material, entrevistas da Delegada, do Promotor do GAECO e do Governador do Estado detalhando o SIGILOSO e imaculado inquérito policial”, argumenta.

Os advogados afirmam que ‘não é possível conceber que uma autoridade administrativa dê conhecimento a órgãos de imprensa sobre o conteúdo de investigações secretas, ao mesmo tempo em que nega aos investigados o direito de acesso
para que possam exercer a garantia constitucional de ampla defesa’.

“A divulgação do segredo pela imprensa torna o sigilo para o investigado desarrazoado, um ‘segredo de polichinelo’ que revela improbidade, imoralidade e desvio de finalidade, longe da transparência límpida, e carente de bases legais e constitucionais”, anota.

Segundo a Polícia Militar, o pastor Anderson do Carmo de Souza, de 42 anos, foi executado por volta das 4h, com diversos tiros, após chegar com a esposa em sua residência no bairro Pendotiba.

De acordo com a PM, Souza chegou a ser socorrido para o Hospital Niterói D’Or, no bairro Santa Rosa, mas não resistiu aos ferimentos.

Como o crime aconteceu?

O pastor Anderson do Carmo de Souza foi executado por volta das 4 horas da madrugada do domingo, 16, com diversos tiros, após chegar com a mulher em sua residência no bairro Pendotiba, em Niterói.

Quem são os suspeitos?

Na segunda-feira, 17, a polícia já suspeitava que filhos do casal pudessem ter envolvimento com o crime. Flordelis e Anderson são pais de 55 filhos, dos quais 51 são adotivos. O primeiro detido foi Flávio dos Santos Rodrigues, de 38 anos, filho biológico de Flordelis e enteado de Souza. A prisão ocorreu durante o enterro do padrasto. O outro filho do casal preso foi Lucas Cezar dos Santos Souza, de 18 anos. Eles foram presos inicialmente sob suspeita de envolvimento em outros crimes.

Na quinta-feira, 20, a Justiça do Rio de Janeiro expediu mandados de prisão temporária para os dois filhos da pastora. Segundo a polícia, Flávio confessou envolvimento na morte do padrasto. Apesar disso, os investigadores ainda tentam esclarecer as circunstâncias do crime e apuram a participação de outras pessoas na morte do pastor.

Quais são as contradições da confissão?

O laudo do Instituto Médico Legal revelou que o corpo do pastor tinha mais de 30 perfurações – nove na região da virilha e da coxa, oito no peito e um, provocado por tiro a curta distância, na cabeça -, mas o réu confesso teria dito que disparou seis tiros. A polícia destacou que a quantidade de perfurações é insuficiente para determinar o número de tiros, uma vez que um mesmo tiro pode resultar em mais de uma perfuração.

A deputada é considerada suspeita?

A polícia e o Ministério Público não descartam a participação da deputada na morte do marido. A TV Globo revelou que o depoimento de um outro filho de casal teria sugerido a participação de três irmãs e da própria deputada Flordelis no planejamento do crime. A arma utilizada na execução foi encontrada dentro da casa pela polícia, mas, até agora, os policiais não conseguiram achar o celular usado pela vítima.

“Temos muito trabalho a fazer ainda. Por isso, notícias prematuras, coisas que chegam até vocês (da imprensa) de forma irresponsável, às vezes, podem atrapalhar as investigações”, disse na semana passada a delegada Bárbara Lomba, titular da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo.

O que a polícia busca esclarecer no depoimento?

Apesar de um dos filhos do casal ter assumido a autoria do crime, a polícia quer esclarecer a dinâmica da execução e diz que todas as pessoas que tinham alguma ligação com o pastor estão sendo investigadas – o que inclui a deputada.

O que a deputada fala sobre o caso?

A deputada reafirmou na noite de sábado, 22, a esperança de que sejam inocentes seus dois filhos presos temporariamente. “Tem gente que estranha eu não acreditar que dois filhos meus são os autores, porque eles confessaram. Eu não quero acreditar e o meu coração de mãe me dá direito à esperança”, escreveu a deputada, em sua conta no Facebook, numa mensagem em que negou esconder provas e disse querer o esclarecimento do crime.

Flordelis comentou as declarações da delegada. “As confissões não são suficientes para condenar e quem assistiu a entrevista da delegada ouviu ela também dizer a mesma coisa. Vamos aguardar o fim das investigações e do julgamento. É assim que tem que ser”, escreveu a parlamentar.

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