Filha de ex-senador paraguaio arquitetou propina de US$ 2 mi para blindar ‘doleiro dos doleiros’, diz Ministério Público

Filha de ex-senador paraguaio arquitetou propina de US$ 2 mi para blindar ‘doleiro dos doleiros’, diz Ministério Público

Alvo da Operação Patron, deflagrada nesta terça, 19, a advogada Maria Letícia Bóbeda Andrada teria sido indicada para representar Dario Messer no Paraguai por ser 'pessoa de influência' no governo; ex-ministro e atual chefe de gabinete civil da Presidência, Juan Ernesto Villamayor, teria recebido o dinheiro

Paulo Roberto Netto, Pepita Ortega e Fausto Macedo

19 de novembro de 2019 | 13h29

A advogada Maria Letícia Bóbeda Andrada, filha do ex-senador paraguaio José Manuel Bóbeda (Unace), é acusada de arquitetar esquema de propina destinada ao ministro do Interior do governo paraguaio em troca da segurança de Dario Messer, o ‘doleiro dos doleiros’, enquanto ele se escondia da Polícia Federal no país vizinho.

Nesta terça, 19, a advogada foi alvo de mandado de prisão preventiva expedida pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, no âmbito da Operação Patron, nova fase da Câmbio, Desligo.

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Segundo o Ministério Público Federal, Maria Letícia Bóbeda foi escolhida pelo empresário Roque Silveira para representar Messer por ser uma ‘pessoa de influência’ no governo paraguaio. Seu pai, José Manuel Bóbeda, exerceu mandato no Senado entre 2008 a 2018.

A recomendação teria sido feita em maio do ano passado, quando Dario estava foragido da Polícia Federal e abrigado na fazenda de Roque Silveira, em Salto Del Guairá.

A missão de Maria Letícia era ‘cuidar da situação’ de foragido de Messer, com o pagamento de suborno a autoridades para evitar sua extradição caso fosse preso no território vizinho.

O ex-ministro do Interior do Paraguai e atual Chefe do Gabinete Civil da Presidência, Juan Ernesto Villamayor. Foto: Santi Carneri/The New York Times

Segundo conversas obtidas pelos investigadores, a advogada e o doleiro esquematizaram o pagamento de US$ 2 milhões em propinas ao então ministro do Interior paraguaio Juan Ernesto Villamayor, atual chefe de gabinete civil da Presidência, a cargo de Mario Abdo Benítez.

Em troca, Villamayor teria aceitado negociar e apresentar benefícios para a apresentação de Dario à justiça paraguaia.

“São diversas mensagens reportadas pela autoridade policial que comprovam acima de qualquer dúvida essa dinâmica, sendo certo que a mais grave, que implicaria em suborno do Ministro do Interior do Paraguai de US$ 2 milhões para que este garantisse a não extradição de Dário para o Brasil caso o mesmo se entregasse, bem como uma prisão domiciliar por algum tempo”, afirmam os procuradores.

Segundo o Ministério Público, Villamayor já tinha atuado fora da lei em abril deste ano ao cobrar R$ 60 mil para não extraditar o contrabandista de cigarros Luiz Henrique Boscatto.

Há também registros sobre possível encontro de Maria Letícia com o senador paraguaio Sérgio Godoy, atualmente em mandato pelo Partido Colorado. Maria Letícia também teria ocultado US$ 150 mil em dezembro de 2018 para ‘possível acordos com autoridades paraguaias’, segundo o Ministério Público Federal.

COM A PALAVRA, A ADVOGADA MARIA LETÍCIA BÓBEDA ANDRADA
A reportagem busca contato com a advogada Maria Letícia Bóbeda Andrada. O espaço está aberto a manifestações (paulo.netto@estadao.com, pepita.ortega@estadao.com e fausto.macedo@estadao.com)

COM A PALAVRA, O EX-SENADOR JOSÉ MANUEL BÓBEDA
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COM A PALAVRA, O EX-MINISTRO JUAN ERNESTO VILLAMAYOR
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COM A PALAVRA, O SENADOR SÉRGIO GODOY
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