Filha de Eduardo Cunha na mira da Lava Jato

Depois de a mulher do deputado afastado, Cláudia Cruz, se tornar ré, agora é a vez de Danielle Dytz da Cunha Doctorovich, que também gastou no exterior recursos supostamente oriundos de propinas do esquema Petrobrás

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

09 de junho de 2016 | 14h00

Foto: Reprodução

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A filha do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) continuará sendo investigada, segundo informou a força-tarefa da Operação Lava Jato nesta quinta-feira, 9. Danielle Dytz da Cunha Doctorovich é suspeita de ser beneficiária da conta Kopek, cuja titularidade é atribuída à jornalista Cláudia Cruz, sua madrasta e mulher de Eduardo Cunha.

“As investigações prosseguirão em relação a Daniele Ditz, filha de Eduardo Cunha, e a outros investigados, Jorge Reggiardo e Luis Pittaluga, que atuaram como operadores para abertura da conta Netherton”, aponta a Procuradoria da República.

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Em março, Danielle Dytz e Cláudia Cruz tentaram se esquivar do juiz federal Sérgio Moro, símbolo da Lava Jato. Seus advogados pediram ao Supremo Tribunal Federal que rejeitasse pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de desmembramento do processo contra o presidente afastado da Câmara, e mantivessem a investigação contra a filha e a mulher de Cunha na Corte máxima. O STF não aceitou e mandou a apuração para a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Os advogados Fernanda Tórtima e Ademar Borges, na ocasião, afirmaram: ‘não há dúvida de que (Danielle) é investigada pelos mesmos fatos atribuídos a seu pai e a sua madrasta – a saber, a suposta manutenção de conta não declarada no exterior, fato que, por si só, atrai a incidência do inciso I do artigo 77 do Código de Processo Penal, sendo de rigor a unicidade processual’.

A defesa sustentou que ‘basta que se veja que a ora peticionária (Danielle) é apenas indicada como beneficiária da conta Kopek, cuja titularidade é atribuída a sua madrasta, e que teria sido, segundo a acusação, alimentada com valores transferidos a partir de outras contas controladas por seu pai’.

Nesta quinta-feira, Cláudia Cruz tornou-se ré pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo valores provenientes do esquema de corrupção instalado na Diretoria Internacional da Petrobrás. A ação penal proposta na última segunda-feira, 6, foi recebida integralmente nesta quinta-feira, 9, pelo juiz federal Sérgio Moro.

As investigações apontaram que Cláudia ‘tinha plena consciência dos crimes que praticava e é a única controladora da conta em nome da offshore Köpek, na Suíça, por meio da qual pagou despesas de cartão de crédito no exterior em montante superior a US$ 1 milhão num prazo de sete anos (2008 a 2014), valor totalmente incompatível com os salários e o patrimônio lícito de seu marido’. Quase a totalidade do dinheiro depositado na Köpek (99,7%) teve origem nas contas Triumph SP (US$ 1.050.000,00), Netherton (US$ 165 mil) e Orion SP (US$ 60 mil), todas pertencentes a Eduardo Cunha.

Segundo a Procuradoria, as contas de Eduardo Cunha no exterior eram usadas para, em segredo a fim de garantir sua impunidade, receber e movimentar propinas, produtos de crimes contra a administração pública praticados pelo deputado hoje afastado da presidência da Câmara. Por meio da mesma conta Köpek, Cláudia Cruz teria se favorecido de parte de valores de uma propina de cerca de US$ 1,5 milhão que o marido teria recebido para “viabilizar” a aquisição, pela Petrobras, de 50% do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA PIERPAOLO BOTTINI

Claudia Cruz responderá às imputações como fez até o momento, colaborando com a Justiça e entregando os documentos necessários à apuração dos fatos. Destaca que não tem qualquer relação com atos de corrupção ou de lavagem de dinheiro, não conhece os demais denunciados e jamais participou ou presenciou negociações ilícitas.

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