Filha de Eduardo Cunha diz que ‘não sabe’ por que o pai lhe deu cartão de crédito internacional

Filha de Eduardo Cunha diz que ‘não sabe’ por que o pai lhe deu cartão de crédito internacional

Danielle Dytz da Cunha disse à força-tarefa da Lava Jato que 'sabe quanto é o salário de um deputado federal, mas presumia que o dinheiro que mantinha o alto padrão de vida da família era proveniente do patrimônio da atividade anteriormente desenvolvida por Eduardo Cunha'

Mateus Coutinho e Julia Affonso

22 de novembro de 2016 | 12h46

Foto: Reprodução

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A publicitária e filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Danielle Dytz da Cunha afirmou, em depoimento à força-tarefa da Lava Jato, ‘não saber’ porque seu pai lhe deu um cartão de crédito internacional no período em que ela morou no exterior, sendo que ela já possuía um cartão brasileiro.

Ela disse ainda que seu pai lhe deu o cartão com o objetivo de custear sua estadia no tempo em que morou fora do Brasil, entre 2011 e 2013, e que, mesmo com um cartão brasileiro com um limite de gastos de R$ 10 mil, utilizou ‘principalmente o cartão estrangeiro’, do qual não recebia os extratos e cujos pagamentos eram autorizados por Eduardo Cunha.

Indagada pelos procuradores da força-tarefa, Danielle também disse que ‘sabe quanto é o salário de um deputado federal, mas presumia que o dinheiro que mantinha o alto padrão de vida da família era proveniente do patrimônio da atividade anteriormente desenvolvida por Eduardo Cunha’.

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O cartão de crédito estrangeiro recebido por ela estava associado à offshore Köpek, da atual mulher de Cunha e madrasta de Danielle, Cláudia Cordeiro Cruz, ré na Lava Jato acusada de lavagem e evasão de US$ 1 milhão nesta conta.

A Köpek não era declarada às autoridades brasileiras, foi descoberta graças ao apoio de investigadores suíços e, segundo a Lava Jato, recebeu recursos da propina destinada ao ex-presidente da Câmara no esquema de corrupção na Petrobrás. Aos investigadores, Danielle negou conhecer a Köpek.

A publicitária contou que morou no exterior em três ocasiões, de 2001 a 2002, por um semestre em 2007 e entre 2011 e 2013, quando fez um MBA na Espanha e depois foi trabalhar na Alemanha e nos Estados Unidos. Como revelaram as investigações, seu curso no exterior foi pago com recursos da conta Köpek, aberta em 2008 no banco suíço Julius Baer por Cláudia Cruz.

O depoimento de Danielle foi tomado pelo Ministério Público Federal no dia 28 de abril deste ano, quando Cunha ainda era deputado e já era réu no Supremo Tribunal Federal acusado de receber propinas no esquema de corrupção na Petrobrás. Ela foi ouvida a pedido de sua própria defesa em uma investigação da Procuradoria da República sobre a atuação do lobista do PMDB João Augusto Henriques na Petrobrás.

Com seu depoimento, agora tornado público na Lava Jato, e as provas obtidas em cooperação jurídica com o Ministério Público da Suíça sobre as contas da família Cunha no exterior, a força-tarefa abriu uma investigação à parte sobre Danielle para apurar se ela teria lavado dinheiro do esquema de corrupção na Petrobrás.

Danielle também alegou que, mesmo no período em que foi casada e com uma renda atual de R$ 5 mil a R$ 10 mil mensais, ainda era dependente financeiramente de seu pai que, segundo ela, ‘sempre gerenciou sua vida financeira’, fato que ela afirmou não ver nenhum problema.

A estratégia da defesa da filha de Eduardo Cunha é tentar descolar o nome de Danielle das contas e movimentações suspeitas de seu pai e de sua madrasta, que aparecem como os titulares de offshores descobertas pela Lava Jato. Segundo alegaram os defensores de Danielle, ela seria apenas ‘detentora de cartão de crédito’, não exercendo nenhum controle sobre a conta Kopek, de titularidade de Cláudia Cruz.

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