FHC afirma que Aécio não pediu doações de caixa 2

FHC afirma que Aécio não pediu doações de caixa 2

Em nota, ex-presidente lamenta "estratégia usada por adversários do PSDB que difundem 'notícias alternativas' para confundir a opinião pública"

Valmar Hupsel Filho, Julia Affonso e Mateus Coutinho

03 Março 2017 | 18h25

 

FHC. Foto: Fábio Motta/Estadão

FHC. Foto: Fábio Motta/Estadão

 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reagiu nesta sexta-feira, 3, às informações de que o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, pediu à empreiteira Odebrecht doações a aliados tucanos via caixa 2 nas eleições em 2014.

“Lamento a estratégia usada por adversários do PSDB que difundem ‘noticias alternativas’ para  confundir a opinião pública”, disse FHC, em nota.

Aécio foi citado em dois depoimentos importantes tomados no âmbito da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), sob condução do ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral.

Marcelo Odebrecht e Benedicto Junior, o ‘BJ’ – ex-mandatários da empreiteira – atribuíram ao tucano pedidos de recursos para a campanha em 2014. Marcelo Odebrecht disse que Aécio pediu R$ 15 milhões. ‘BJ’ que Aécio pediu R$ 9 milhões, dos quais R$ 6 milhões para três aliados dele e R$ 3 milhões para seu marqueteiro Paulo Vasconcelos.

Os depoimentos foram fechados, mas detalhes dos relatos dos executivos da empreiteira acabaram vazando.

“A imprensa é instrumento fundamental da democracia. Usada por quem não é criterioso presta um mau serviço ao país”, anotou FHC, presidente de honra do PSDB.

Segundo ele, ‘parte do noticiário de hoje (sexta, 3) sobre os depoimentos da Odebrecht serve de sinal de alerta’.

“Ao invés de dar ênfase à afirmação feita por Marcelo Odebrecht, de que as doações à campanha presidencial de Aécio Neves, em 2014, foram feitas oficialmente, publicou-se a partir de outro depoimento (de ‘BJ’) que o senador teria pedido doações de caixa dois para aliados.”

FHC é enfático. “O senador não fez tal pedido. O depoente não fez tal declaração em seu depoimento ao TSE.”

“É preciso serenidade e respeito à verdade nessa hora difícil que o país atravessa”, observa o ex-presidente.

“Ademais, independentemente do noticiário de hoje tratar como iguais situações diferentes, não é o caminho para se conhecer a realidade e poder mudá-la. Visto de longe tem-se a impressão de que todos são iguais no universo da política e praticaram os mesmos atos.”

Para FHC, ‘no importante debate travado pelo país distinções precisam ser feitas’.

O tucano defende punição para caixa 2 e para enriquecimento pessoal, mas aponta para o que chama de ‘diferença’.

“Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa dois para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção.”

Na mesma nota, FHC diz que ‘divulgações apressadas e equivocadas agridem a verdade, e confundem os dois atos, cuja natureza penal há de ser distinguida pelos tribunais’.

Ele avalia a relevância de informações prestadas por delator. “A palavra de um delator não é prova em si, apenas um indício que requer comprovação. É preciso que a Justiça continue a fazer seu trabalho, que o país possa crer na eficácia da lei e que continue funcionando.”

“A desmoralização de pessoas a partir de ‘verdades alternativas’ é injusta  e não serve ao país. Confunde tudo e todos.”

O ex-presidente defende ‘apoio ao esforço moralizador das instituições de Estado e deixar que elas, criteriosamente, façam Justiça’.