Ferrovias e a expectativa pela mudança da matriz logística estadual

Ferrovias e a expectativa pela mudança da matriz logística estadual

Sérgio Victor*

17 de maio de 2019 | 10h00

Sérgio Victor. FOTO: DIVULGAÇÃO

Com cerca de 35 mil km de rodovias, sendo 8 mil km de rodovias concessionadas, o estado de São Paulo é a região com maior número de rodovias duplicadas da América latina. Esses números refletem a grandeza da economia de São Paulo.

Investir em infraestrutura é sem dúvida um dos principais vetores para o crescimento econômico. A acessibilidade logística leva ao desenvolvimento de um ambiente pujante para indústria, comércio, serviços e influência de forma determinante as escolhas pessoais quanto a moradia. No entanto, a degradação da atividade logística em função da perda de mobilidade especialmente nas áreas periféricas aos grandes centros urbanos, pode transformar regiões profícuas em bolsões de pobreza.

A macrometrópole de São Paulo é composta principalmente das regiões metropolitanas de São Paulo, Vale do Paraíba, Campinas, Santos e Sorocaba. Compreende cerca de 70% da população do estado em uma área aproximada de 20% de usa extensão.

Do ponto de vista de mobilidade, os eixos rodoviários que conectam essas regiões a São Paulo, já se encontram comprometidos, principalmente no entrono da capital.

Dados públicos do governo de São Paulo levantados pela minha equipe indicam um cenário preocupante de curto prazo para mobilidade de cargas e passageiros. As conexões de chegada a São Paulo caminham para um “horário de pico permanente” em horário comercial. Como resultado, os custos de transporte individual e de carga tendem a aumentar levando a evasão de investimentos privados no estado de São Paulo, como observamos recentemente na imprensa.

São Paulo precisa de um plano multimodal de transporte que inclua a integração de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos capaz de atender demandas de cargas e passageiros.

Hoje, o caminho mais curto para desbloquear as artérias da macrometropole é ferroviário.

Posso citar muitos argumentos para essa convicção, destacando-se o menor custo de frete a partir de distâncias aceitáveis, a redução no número caminhões de grande porte circulantes, frequência e pontualidade do transporte logístico (previsibilidade) e ainda a possibilidade de incentivar uma mudança na matriz rodoviária benéfica aos caminhoneiros, baseada em fretes de curta distância (última milha) a partir do transbordo logístico.

Entretanto, para que as ferrovias aconteçam há um imbróglio jurídico a ser resolvido. A maior parte da extensão da malha ferroviária paulista é de atribuição federal e esta concessionada, por outro lado é a única malha que liga os grandes eixos da macrometrópole com disponibilidade faixas de domínio, o que permitiria a expansão das vias com custos mínimos de desapropriação.

O ministro Tarcísio Gomes de Freitas vem manifestando grande interesse pelo anel ferroviário de São Paulo enfatizando seu impacto positivo para a macrometropole paulista e regiões como o Vale do Paraíba e o Rio de Janeiro.

O governador João Dória prometeu trem de passageiros para o trecho Campinas-São Paulo e São José dos Campos – São Paulo para este mandato. Sob sua gestão, caminha um estudo que avalia possibilidades de operação promissoras como o uso de múltiplas linhas férreas compartilhadas entre cargas e passageiros integrados a plataformas logísticas de dentro e fora de São Paulo.

É um modelo que me parece muito atrativo a iniciativa privada, posto que contempla a operação de cargas como financiador da operação de passageiros, além da exploração de fontes de receita oriundas de armazenamento e transbordo destas cargas.

Além de beneficiar regiões da grande São Paulo, Vale do Paraíba, Campinas, Santos e Sorocaba a materialização de um projeto dessa magnitude pode representar uma mudança disruptiva na matriz logística estadual e nacional induzindo o crescimento econômico do estado pelos próximos 25 anos.

Estamos atentos aos trabalho empreendido pelo Governador João Dória e com grande expectativa sobre seus resultados.

*Sérgio Victor é deputado estadual (Novo)

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