Feriado nos EUA paralisa negociação de acordo da Odebrecht

Feriado nos EUA paralisa negociação de acordo da Odebrecht

Dia de Ação de Graças deve transferir reta final da assinatura do acordo para próxima semana, mas Odebrecht e investigadores ainda tentarão retomar conversas na sexta-feira, 25

Fabio Serapião, Fausto Macedo, Beatriz Bulla e David Friedlander

24 de novembro de 2016 | 11h57

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Jf Diório/ Estadão

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Jf Diório/ Estadão

As comemorações americanas pelo feriado de Ação de Graças interromperam a negociação do acordo de leniência entre a Odebrecht, a Lava Jato e as autoridades da Suíça e Estados Unidos. A paralisação pode inviabilizar a assinatura do acordo antes da viagem do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para a China – o embarque está prevista para esta sexta-feira, 25. Com a paralisação, os advogados da empreiteira estão retornando para São Paulo nesta quinta-feira, 24, mas tentarão retomar as conversas com o americanos ainda nesta sexta-feira, 25.

O Estado revelou que a tratativa da delação premiada e da leniência da Odebrecht está a um passo de ser concluída. O último entrave é valor que será pago pela empresa aos Estados Unidos, como multa da leniência negociada entre as autoridades americanas, o Brasil e a Suíça. Os EUA pressionam por um valor maior, o que gerou um impasse na reta final das negociações.

Os advogados e investigadores envolvidos na negociação tentavam equacionar o impasse até a tarde desta quinta-feira, 24, para evitar que Janot estivesse fora do país quando for efetivada a assinatura do acordo. Entretanto, as comemorações da data associada à tradição de dar graças a Deus pelos bons resultados nas colheitas vai transferir a reta final da negociação para a próxima semana. Janot fica na China até o dia 4 de dezembro.

Apesar de a fase de negociação estar praticamente concluída, o material ainda não será enviado ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de encaminhar as delações para homologação, os procuradores precisam concluir a validação de depoimentos dos delatores, o que pode se estender até as vésperas do recesso do Judiciário, que terá início em 20 de dezembro.

É somente após a homologação que o material pode ser utilizado para embasar a abertura de investigações e pedidos de medidas cautelares, como buscas e prisões. A expectativa é de que após a assinatura dos acordos de delação e leniência a Odebrecht divulgue um comunicado à sociedade sobre a situação do grupo.

O Estado apurou com investigadores com acesso à negociação que as delações dos executivos, bem como o acordo de leniência da empresa, não devem atingir de maneira uniforme as principais lideranças políticas brasileiras. Embora os principais partidos sejam alvo das delações – PMDB, PT e PSDB -, alguns políticos serão atingidos de “forma fatal” e outros terão suas imagens apenas “arranhadas” pelas revelações. A diferença se dará pelo fato dos valores recebidos da empresa estarem ou não atrelados em desvios praticados em obras e licitações públicas.

A análise feita por alguns investigadores é que o acordo da empreiteira vai criar o “padrão Odebrecht” tanto para as penas e multas quanto para o conteúdo a ser entregue em negociações futuras. A partir de agora, diz um procurador, a empresa ou executivo interessado em delatar terá que oferecer algo além do que a Odebrecht já entregou. Nesse cenário, prevê o investigador, a tendência é que as empresas na fila – Queiroz Galvão, OAS, Mendes Júnior e Galvão Engenharia – consigam alcançar àqueles políticos que porventura tenham ficado de fora do acordo da empreiteira baiana.

Mais conteúdo sobre:

Lava JatoOdebrechtPGR