Feminista, mostra a tua cara!

Feminista, mostra a tua cara!

Emanuela Carvalho*

25 de maio de 2019 | 06h30

Emanuela Carvalho. FOTO: MARCELO ROSAS

Para muitas pessoas a palavra “feminista” virou palavrão. Quer ofender? Chama de feminista! Não quer ser repetitivo? Muda um pouquinho o termo, chama de feminazi. Quer ser aquela mulher que fica em cima do muro? Lance mão da pérola: “não sou feminista, sou feminina.” E mate de tristeza a feminista mais próxima.

Não cabe julgar o que as pessoas pensam, mas a tentativa é sempre a mesma: explicar a importância de uma consciência feminista – para além do termo – e colocá-la em prática na busca de uma vida social mais justa. Sim, isso é possível. O primeiro passo é desmistificar o termo. Ah, você não gosta de ser chamada de feminista? Não seja! Mas não desmereça a luta, defendendo que ser feminina basta. Categoricamente informo: não basta!

A luta do movimento que atravessou décadas, e vem em ondas cada vez mais fortes é fundamental para a nossa sobrevivência. Como assim? As mulheres não viveriam sem o feminismo? Viveriam, claro! Mas em quais condições?

Se antes lutávamos pela positivação de direitos (coisas que hoje parecem-nos tão simples como votar, divorciar-se, trabalhar) ou pelo direito ao próprio corpo como o uso de anticoncepcionais e o aborto (e aqui não caberá uma discussão religiosa sobre o tema, já que é um recorte histórico do movimento), hoje ainda precisamos lutar pela igualdade de direitos e pela liberdade.

Se você questiona por acreditar que as mulheres são livres, é só analisar o crescente número de feminicídios no Brasil. A mulher que conquistou o direito de juridicamente se separar, emocionalmente não o tem. Ela precisa pagar um preço muito alto para que isso aconteça e muitas vezes esse custo é a própria vida. Isso porque crescemos acreditando que as mulheres têm obrigações a cumprir, um script a seguir, que envolve casar, ter filhos e ser feliz para sempre até que a morte os separe. É quando vem a morte e faz o seu papel. Não é irônico, nem engraçado, mas é contraditório. Quanto mais nos sentimos livres – nós mulheres – mais somos ameaçadas por aqueles que se sentem ameaçados pela nossa liberdade. Parece confuso?

E porque no momento em que uma mulher se manifesta pelo seu direito de ser dona das suas escolhas, do seu destino, do seu corpo, a luta que lhe fortalece é tratada de maneira tão pejorativa, inclusive por outras mulheres? Falta de informação e preconceito.

Mas repetir não custa: feminismo, ou melhor, feminismos, porque as lutas são várias! Não é o contrário de machismo. É fácil compreender a confusão por conta da formação da palavra: todas terminam em ismo. Mas as semelhanças param por aí. E com certeza, você já ouviu falar que no machismo, acredita-se que o homem é superior à mulher e no feminismo, lutamos pela igualdade de direitos. Você também deve conhecer mulheres feministas que se amam, se cuidam, eliminam os pelos do corpo – se quiserem – amam os seus parceiros e não querem queimá-los vivos numa fogueira e sim reeducá-los, ou as suas parceiras, exercendo a tão falada liberdade de escolha.

Então, se vivemos momentos difíceis de violência contra as mulheres, não seja você a querer que a feminista se esconda, que ela finja que não conhece os seus direitos e que não deve lutar por eles para se apresentar como “boa moça”. Não seja você a impedir que ela mostre a cara com orgulho e dignidade.

Aliás, por falar em mostrar a cara, que tal botar pra fora o feminismo que mora em você?

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