Feliz dia das mulheres unidas

Feliz dia das mulheres unidas

Whiny Fernandes*

08 de março de 2021 | 04h00

Whiny Fernandes. FOTO: DIVULGAÇÃO

Há exatos 46 anos o dia 08 de março foi oficializado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como uma ação voltada ao combate das desigualdades e discriminação de gênero em todo mundo. Tudo começou com protestos por melhores condições de trabalho que culminou no trágico incêndio com centenas de mulheres mortas, mas os atos em prol de mais direitos para o sexo feminino não pararam por aí. Com o auxílio da tecnologia é possível perceber uma grande rede de apoio ao feminismo, mas ainda estamos longe de conquistar a tão sonhada igualdade.

Não precisamos ir muito longe para perceber o quanto ainda estamos atrasadas. No mercado de trabalho, por exemplo, podemos citar que a pandemia de Covid-19 afetou a economia mundial, mas afetou muito mais as mulheres. Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), no Brasil, o percentual de mulheres que estavam trabalhando ficou em 45,8% no terceiro trimestre de 2020 – nível mais baixo registrado nos últimos 30 anos, quando a taxa era de 44,2%.

Além disso, 7 milhões de mulheres deixaram o mercado de trabalho na segunda quinzena de março, logo no começo da pandemia, 2 milhões a mais do que os homens que representaram 5 milhões, segundo a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). E mesmo para a parcela feminina que conseguiu se manter empregada a situação não é das melhores. De acordo com dados divulgados pelo Datafolha, 57% das mulheres que passaram a trabalhar remotamente disseram ter acumulado a maior parte dos cuidados domésticos. Isso prova, mais uma vez, que em qualquer situação ainda estamos atrás. É como se disputassemos uma corrida e simplesmente pelo fato de sermos mulheres sempre largassemos em último.

Mesmo com todos esses dados negativos não podemos deixar de celebrar que, mesmo a passos curtos, já conquistamos muitas coisas e estamos prestes a conquistar muito mais. E tudo isso graças a força de mulheres que se uniram e vem se unindo cada vez mais. A tecnologia é uma grande aliada nesse movimento. É possível notar, principalmente nas redes sociais, uma corrente de mulheres que vem se apoiando cada vez mais.

No fim do ano passado foi divulgado parte do julgamento de André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a jovem Mariana Ferrer em que o acusado foi inocentado sob uma tese de “estupro culposo”. O caso gerou uma revolta nacional e o vídeo do julgamento de denúncia de estupro gerou em média 20 tuítes por minuto, sendo a maioria a favor de Mariana Ferrer. A #justiçapormariferrer ficou entre os assuntos mais comentados das redes sociais por dias.

Comoções como essas mostram o quanto as mulheres estão se unindo mais e como a internet proporciona que isso chegue cada vez mais longe e aumente essa comunidade em defesa da mulher. Aos poucos, as mulheres não estão mais se vendo como concorrentes ou rivais e sim como parceiras que devem se unir, denunciar, protestar e celebrar juntas. Então, apesar de tudo, vamos celebrar o dia das mulheres unidas e que no próximo 8 de março possamos comemorar ainda mais conquistas.

*Whiny Fernandes é especialista em Employer Branding e cofundadora do Employer Branding Brasil

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