Felipe Santa Cruz: ‘OAB irá analisar os indícios de crimes apontados por Moro’

Felipe Santa Cruz: ‘OAB irá analisar os indícios de crimes apontados por Moro’

Presidente da instituição afirmou que Comissão de Estudos Constitucionais da Ordem irá formular um 'estudo detalhado' do pronunciamento e suas implicações jurídicas

Paulo Roberto Netto e Pedro Venceslau

24 de abril de 2020 | 13h01

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, afirmou que a instituição irá analisar os indícios de crimes apontados pelo ex-ministro Sérgio Moro durante pronunciamento na manhã desta sexta, 24. O ex-juiz da Lava Jato afirmou que deixava o cargo após o presidente Jair Bolsonaro declarar que pretende interferir no comando e na autonomia da Polícia Federal.

“A OAB irá analisar os indícios de crimes, apontados por Moro. Mas preciso registrar meu lamento e minha indignação com as crises que o Presidente nos impõe, por motivos extremamente suspeitos, em meio a uma crise pandêmica que, de tão grave, deveria ao menos ser a única”, afirmou o presidente da OAB.

Em nota, Santa Cruz afirmou que a Comissão de Estudos Constitucionais da OAB irá formular um ‘estudo detalhado’ do pronunciamento e suas implicações jurídicas.

“É lamentável que, no dia seguinte ao país registrar mais de 400 mortos pela pandemia, estejamos todos me meio a nova crise patrocinada pelo governo”, afirmou.

O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Foto: Wilton Júnior / Estadão

Ao anunciar sua demissão do governo federal, Moro criticou a insistência do presidente Jair Bolsonaro para a troca do comando da Polícia Federal, sem apresentar razões aceitáveis. O ex-juíz da Lava Jato também disse que o presidente queria ter acesso a informações e relatórios confidenciais de inteligência da PF.

Ao sair do cargo, Moro disse que Bolsonaro não o queria mais no cargo de ministro de Justiça e Segurança Pública – posto que assumiu em janeiro de 2019, após 22 anos de magistratura e a cadeira da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela Operação Lava Jato.

“O presidente me disse que queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse colher informações, relatórios de inteligência, seja diretor, superintendente, e realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação. As investigações têm de ser preservadas”, disse Moro, que comparou a ação sobre os receios de interferência na instituição durante o governo petista. “Imagina se na Lava Jato, um ministro ou então a presidente Dilma ou o ex-presidente (Lula) ficassem ligando para o superintendente em Curitiba para colher informações”.

De acordo com Moro, a partir do segundo semestre do ano passado, “passou a haver uma insistência do presidente com a troca do comando da Polícia Federal”.

“O presidente passou a insistir também na troca do diretor-geral. Eu disse ‘Não tenho nenhum problema em trocar o diretor-geral, mas eu preciso de uma causa’. Estaria claro que haveria interferência política na PF”, afirmou.

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