Fazer o bem

Fazer o bem

Fernando Goldsztein*

12 de outubro de 2020 | 14h20

Fernando Goldsztein. FOTO: DIVULGAÇÃO

Infelizmente as carências do país  estão por todos os lados. As finanças públicas, que tanto sofrem na mão de corruptos e de grupos de privilegiados, não conseguem atender às demandas dos mais vulneráveis. Neste contexto, a filantropia tem um papel muito importante mas ainda incipiente no Brasil. O país, apesar de ser a nona economia mundial e o oitavo em número de bilionários, ainda ocupa o septuagésimo quinto lugar no ranking da filantropia mundial segundo a CAF- Charities Aid Fondation.

É preciso avançar muito para que possamos reduzir cada vez mais a desigualdade no Brasil. Neste cenário, destacam-se alguns filantropos que tem feito um trabalho muito importante. Entre eles está Elie Horn. Conheço o seu Elie, como é respeitosamente chamado, há quase 20 anos. Nascido em Aleppo na Síria no ano de 1944, emigrou com a família para o Brasil aos 11 anos de idade. De lá pra cá, construiu uma sólida trajetória na área da incorporação imobiliária. Além de ser o sócio controlador da Cyrela, uma das maiores incorporadoras residenciais do país, possui investimentos em empresas na área de lajes corporativas, shoppings, mercado financeiro e até hospitais.

Seu Elie é um homem obstinado, carismático, possuidor de uma extraordinária visão dos negócios e muito trabalhador. Não obstante todo o sucesso alcançado, sempre tem curiosidade e humildade para apreender. Não lembro de ter participado de nenhum evento ou palestra onde o seu Elie não é o primeiro a fazer perguntas. Não importa se é uma pequena apresentação na própria empresa ou um auditório lotado com mil pessoas. O primeiro a levantar a mão para perguntar será o seu Elie.

Mas não é somente como empresário que ele tem se destacado nos últimos tempos, e sim como  filantropo. Hoje, sem dúvidas, é um dos maiores propagadores da filantropia no país. Seu discurso é sempre o mesmo. Nunca perde uma oportunidade de doutrinar os seus interlocutores quanto a importância da filantropia.

“Deus me deu uma missão que é trabalhar muito, ganhar dinheiro e doar cada vêz mais. Fazer o bem é o meu objetivo de vida”, diz seu Elie. E é o que tem feito, incessantemente. Todos os anos ele faz doações  para as mais diversas causas. E mais, até hoje é o único brasileiro que se uniu a Bill Gates e Warren Buffet assinando o “The Giving Pledge”,  comprometendo-se a doar 60% do seu patrimônio.

Seu Elie dedica grande parte do seu tempo para a atividade filantrópica. Historicamente avesso às câmeras, resolveu enfrentar a timidez e servir de exemplo à outros empresários do país. Sua missão de criar uma cultura de doações no Brasil é árdua mas, pouco a pouco e com a persistência que lhe é peculiar, vai avançando.

Recentemente, ao ser interpelado por um dos seus executivos que se contrapunha à sua visão por ser ela de longuíssimo prazo, ele serenamente respondeu: “Não importa quanto tempo vai levar, importa sim é a direção”.

É claro que, para um dia termos uma sociedade mais justa e menos desigual, precisaremos acertar a direção. Eleger políticos com visão além dos seus mandatos, combater incansavelmente  a corrupção, realizar reformas estruturantes e investir muito em educação são fundamentais para evoluirmos como sociedade. Mas, precisaremos também de  muito mais pessoas fazendo filantropia como o seu Elie.

Não importa se a doação é de um real, um milhão de reais  ou  até mesmo  através de trabalho voluntário. O que importa é que cada um de nós  faça o que estiver a seu alcance para diminuir o abismo social no país. E você, já fez o bem hoje?

*Fernando Goldsztein, empresário

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.