Fator humano ainda é – e sempre será – o principal na educação

Fator humano ainda é – e sempre será – o principal na educação

Rawlinson Terrabuio*

12 de novembro de 2021 | 06h30

Rawlinson Terrabuio. FOTO: DIVULGAÇÃO

Com o avanço praticamente ininterrupto da imunização no Brasil, a pandemia de Covid-19 dá sinais de estar enfraquecendo no país e, aos poucos, a vida começa a voltar aos eixos. A verdade, contudo, é que nada será como antes, já que alguns hábitos incorporados à rotina em razão da necessidade de distanciamento social imposta pela crise sanitária se mostraram viáveis também para momentos de normalidade, como o trabalho remoto e o uso mais acentuado do e-commerce.

No campo da educação, o uso de tecnologias foi acelerado – e tudo indica que o modelo híbrido de ensino seguirá sendo aplicado em diversos casos. O que tem que ficar claro, entretanto, é que utilizar a tecnologia para a jornada de ensino e aprendizagem não consiste, somente, em digitalizar processos, criar um site, um aplicativo e transferir as aulas para plataformas como Zoom ou Google Meet. É preciso ir muito além.

A tecnologia deve ser parte efetiva do método para que não seja encarada como mero complemento, mas como integrante da metodologia, como parte essencial desta. Ocorre que antes de se definir quais ferramentas serão utilizadas, alguns pontos fundamentais, ligados à seara da neurociência, requerem consideração.

O primeiro enfoque está ligado a despertar o interesse do aluno no assunto. Assim, é crucial que o docente conheça a sua turma, as subjetividades de cada um, a fim de propor as atividades adequadas, que vão promover conexões. Isso é fundamental para que o professor possa reconhecer, reforçar e estimular as manifestações positivas de interesse vindas dos estudantes.

Para que a aprendizagem não se torne monótona, o tema de estudo deve ter significado para o aluno, no sentido de relacionar o assunto à prática. No ensino de uma língua estrangeira, por exemplo, é necessário mostrar ao estudante que o novo idioma vai possibilitar que ele conheça melhor a cultura de outro (ou outros) país, que viaje, que acompanhe jogos esportivos com a narração original, que assista a filmes sem a necessidade de legendas e ouça músicas de artistas que ele gosta com a compreensão do significado… As possibilidades são muitas.

É preciso, ainda, que o processo de ensino e aprendizagem desperte sensações e emoções. Pense nos seus professores inesquecíveis da época da escola. Os nomes que vêm à mente são daqueles que você amava, mas também aparecem aqueles que lhe causaram uma má impressão, para dizer o mínimo, certo? São esses que geraram sentimentos, para o bem e para o mal. Deixemos os segundos de lado e tenhamos em mente que são aqueles professores que inspiram os alunos a mudar o mundo que promovem uma verdadeira marca nos estudantes.

Somente depois que tudo isso estiver claro é que as instituições de ensino partirão para a escolha das melhores tecnologias aplicadas à sua realidade e à dos estudantes. Aqui, são inúmeras as possibilidades: speaking mediado por Inteligência Artificial (IA); tomada de decisões a partir da análise de Big Data gerado durante as aulas; gamificação, que lança mão de técnicas de design de jogos, com a definição de objetivos, fases e recompensas, para ensinar; experiências de imersão com Realidade Virtual (RV), que promovem um sentimento de pertencimento; para citar algumas.

O que é necessário ficar claro para as escolas e educadores é que não importa o quanto a tecnologia esteja avançada, ela só será eficaz se os estudantes forem considerados e quando as tratamos como novas linguagens de comunicação. No fim, o aspecto humano ainda é – e sempre será – o mais importante.

*Rawlinson Terrabuio, empreendedor, filósofo, administrador de empresas e CEO da Beetools

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