Fase ‘mais aguda’ da pandemia leva PT e deputado do PSB ao Supremo contra a Copa América no Brasil

Fase ‘mais aguda’ da pandemia leva PT e deputado do PSB ao Supremo contra a Copa América no Brasil

Anúncio da Conmebol gerou corrida ao STF para barrar realização do evento no Brasil em meio à crise da covid-19

Rayssa Motta

31 de maio de 2021 | 20h05

O deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) vai entrar ainda nesta segunda-feira, 31, com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar a realização da Copa América no Brasil em meio à pandemia de covid-19. O pedido é assinado em conjunto com a direção do partido.

O principal argumento é o de que a crise sanitária não está controlada e o evento esportivo pode contribuir para o aumento do número de infecções pelo novo coronavírus e para o surgimento de novas variantes da doença, violando os direitos fundamentais à vida e à saúde.

“É por demais evidente que a permissão ou mesmo a facilitação do Governo para realização de tal evento em momento no qual o Brasil atravessa a fase mais aguda da pandemia representa absoluta temeridade e descaso das autoridades federais com a saúde pública”, diz um trecho da ação que está sendo finalizada.

Em outra frente, o Partido dos Trabalhadores (PT) pediu ao ministro Ricardo Lewandowski, relator da ação que obrigou o governo federal a apresentar um plano nacional de imunização contra o coronavírus, que suspenda as negociações para a organização do evento. O pedido foi apresentado na forma de adendo no mesmo processo.

Supremo Tribunal Federal. FOTO: FELLIPE SAMPAIO/STF

O anúncio de que o Brasil vai sediar a competição, marcada para os dias 13 de junho a 9 de julho, foi feito mais cedo pela Conmebol. O dirigente da confederação, Alejandro Dominguez, chegou a agradecer o presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais. “Quero agradecer muito especialmente ao presidentede Jair Bolsonaro e a seu gabinete por receber o torneio de seleções mais antigo do mundo. Igualmente meus agradecimentos vão para o presidente da CBF, Rogério Caboclo, por sua colaboração”, escreveu.

Apesar do comunicado, o ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, não deu como certo que o País receba a competição e disse que a condição estabelecida pelo governo brasileiro para sediar o evento foi que os jogos aconteçam sem torcidas e que todos os integrantes das delegações estejam vacinados.

Pouco após o anúncio, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), declarou que não poderá receber partidas do torneio em razão do ‘atual cenário epidemiológico’. Ele foi acompanhado pelos governadores do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), e da Bahia, Rui Costa (PT). As capitais que sub-sediarão a competição ainda não foram definidas.

No Senado Federal, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente a CPI da Covid, protocolou um requerimento para que o presidente a CBF, Rogério Caboclo, seja convocado a prestar depoimento na comissão

COM A PALAVRA, A CASA CIVIL

Em reunião nesta segunda-feira (31/05), na Casa Civil, com representantes de vários ministérios, entre eles da Saúde; Infraestrutura; e Justiça, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo, forneceu detalhes sobre a proposta de realização da Copa América de Futebol 2021 no Brasil.

Segundo a CBF, serão 10 delegações de, no máximo, 65 pessoas cada. Os jogos ocorrerão sem público, com todos os integrantes das delegações vacinados contra a Covid19.

Por tratar-se de evento de natureza privada, a escolha das sedes será negociada pela CBF junto aos Estados e municípios que se propuserem a receber os jogos.

Até o momento, não foi enviado pela CBF ao Governo Federal pedido oficial de realização do evento no Brasil.

Assessoria de Comunicação Social da Casa Civil

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