Falta de acesso a medicamentos tem solução

Luiz Monteiro*

29 Novembro 2018 | 04h00

Nos Estados Unidos, o PBM (Pharmacy Benefit Management) – aqui traduzido livremente para Programa de Benefício em Medicamentos – existe desde a década de 1980 e perto de 80% dos pacientes aviam suas receitas médicas por meio desse sistema, com praticamente 100% de todas as prescrições sendo subsidiadas por alguma instituição privada. Já no Brasil, onde este conceito chegou por volta da década de 1990, atualmente o PBM é responsável pela dispensação de aproximadamente 300 mil caixas de medicamento, por dia. Ou seja, representa aproximadamente 10% do mercado farmacêutico brasileiro.

Como se vê, no Brasil ainda há muito espaço no mercado a ser explorado e a expectativa do setor é de que esse número avance em torno de 15% ao ano, até 2023. A expansão se dará principalmente pelo aumento da compreensão dos ganhos que o modelo oferece tanto para seus colaboradores como para a própria organização. Entre as vantagens para as empresas que oferecem PBM a seus funcionários está a gestão do tratamento medicamentoso e a subsequente melhora da saúde populacional, queda do absenteísmo e, consequentemente, maior produtividade. Enquanto que, além da facilitação do acesso aos medicamentos, os empregadores passam a entender a real abrangência do benefício.

Mas, mais do que entender, a sentir de fato as vantagens que o programa oferece. Dados da PNAD – Pesquisa Nacional do Amostra de Domicílios, do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apontam que a maior despesa das famílias brasileiras em saúde é com acesso a medicamentos. De acordo com o órgão, os gastos com farmácia se aproximam de 80% dos gastos com saúde. Outra pesquisa divulgada recentemente pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), revelou que 26,6% da população que terminou o ano de 2017 na lista de negativados fazem uso de remédios contínuos ou periódicos, com um gasto médio mensal de R$ 138,32. Por fim, estima-se que 50% dos brasileiros abandonam o tratamento medicamentoso por falta de condições financeiras em segui-lo. O PBM possibilita esse acesso, é sem dúvida uma alternativa para acabar com essa dificuldade dos brasileiros em adquirir seus remédios e poder cuidar da sua saúde com dignidade.

Aqui no Brasil, as empresas Telefônica, IBM, Caterpillar, Unilever, Arcelor Mital, Carrefour, Nestlé, Gerdau e Tigre, entre outras, já subsidiam medicamentos para seus funcionários. Porém, se o governo criasse atrativos fiscais para que mais empresas pudessem oferecer este benefício a seus colaboradores e dependentes, boa parte da população poderia também desfrutar deste benefício. A saúde é um direito de todos e um dever do Estado, garantido mediante políticas públicas. Mas, o investimento público pode e deve estar acompanhado da iniciativa privada. Para isso, basta uma boa gestão e, principalmente, boa vontade dos nossos governantes.

*Luiz Monteiro, presidente da Associação Brasileira das Empresas Operadoras de PBM (Programa de Benefício em Medicamentos)

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