Fala, Bendine

Fala, Bendine

Ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás, preso na Operação Cobra - fase 42 da Lava Jato -, por suspeita de recebimento de propina de R$ 3 milhões da Odebrecht deve ser interrogado nesta segunda-feira pela Polícia Federal

Julia Affonso e Fausto Macedo

31 de julho de 2017 | 05h00

Aldemir Bendine. 2011. Foto: Nacho Doce/Reuters

O ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobrás Aldemir Bendine será ouvido nesta segunda-feira, 31, na Operação Lava Jato. Estão marcados para hoje os depoimento de Bendine e de André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva, supostos operadores financeiros.

Os três foram presos nesta quinta-feira, 27, na Operação Cobra, 42ª fase da Lava Jato. Bendine é suspeito de receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht.

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A expectativa é que Bendine responda a todos os questionamentos da Polícia Federal. No pedido ao juiz Sérgio Moro para que reconsidere a ordem de prisão contra Bendine, seus advogados, os criminalistas Pierpaolo Bottini e Cláudia Vara San Juan Araújo, afirmaram que a ‘liberdade dele em nada compromete as investigações ou a colheita da prova do inquérito policial’. Eles afirmam que Bendine não recebeu a propina de R$ 3 milhões da empreiteira.

“Ele prestará seu depoimento e esclarecerá à autoridade policial tudo quanto for perguntado”, garantiram os advogados.

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Ex-presidente da Petrobrás recolheu IR da propina

Aldemir Bendine presidiu a estatal petrolífera entre 6 de fevereiro de 2015 e 30 de maio de 2016. Antes de assumir o cargo, foi presidente do Banco do Brasil entre 17 de abril de 2009 e 6 de fevereiro de 2015.

A força-tarefa da Lava Jato afirma que Aldemir Bendine pediu propina de R$ 17 milhões à época em que era presidente do BB, para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht AgroIndustrial.

Os delatores Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, da Odebrecht, teriam negado o pedido de solicitação de propina porque entenderam que Bendine não tinha capacidade de influenciar no contrato de financiamento do banco.

Os procuradores apontam que, após deixar o cargo no banco, na véspera de assumir a presidência da Petrobrás, em 6 de fevereiro de 2015, Bendine e um operador financeiro seu novamente solicitaram propina a Odebrecht e a Fernando Reis.

O pedido teria sido feito para que o grupo empresarial não fosse prejudicado na estatal e também em relação às consequências da Lava Jato.

Os delatores relataram que, em decorrência do novo pedido e com receio de ser prejudicada na estatal petrolífera, a Odebrecht optou por pagar a propina de R$ 3 milhões.

O valor foi repassado em três entregas em espécie, no valor de R$ 1 milhão cada, em São Paulo. Esses pagamentos foram realizados no ano de 2015, nas datas de 17 e 24 de junho e 1.º de julho, pelo Setor de Operações Estruturadas.

Em 2017, um operador financeiro que atuava junto a Bendine confirmou que recebeu a quantia de R$ 3 milhões da Odebrecht, ‘mas tentou atribuir o pagamento a uma suposta consultoria que teria prestado à empreiteira para facilitar o financiamento junto ao Banco do Brasil’, segundo a força-tarefa da Lava Jato.

Os investigadores dizem que a empresa utilizada pelo operador financeiro era de fachada.

“Não foi apresentado nenhum material relativo à alegada consultoria e não foi explicado o destino de valores, a forma oculta do recebimento, a ausência de contrato escrito para serviços de valor milionário e o motivo da diminuição do valor de tais serviços, que inicialmente seriam, conforme reconhecido pelo próprio operador, de R$ 17 milhões, para R$ 3 milhões”, afirma a Procuradoria.

“Buscando dar aparência lícita para os recursos, o operador financeiro, após tomar ciência das investigações, efetuou o recolhimento dos tributos relacionados à suposta consultoria, cerca de dois anos após os pagamentos, com o objetivo de dissimular a origem criminosa dos valores. Há indícios que a documentação também foi produzida com intuito de ludibriar e obstruir as investigações.”

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