Fakes arguments ou apenas falsas polêmicas?

Fakes arguments ou apenas falsas polêmicas?

João Octaviano Machado Neto*

21 de novembro de 2020 | 13h02

João Octaviano Machado Neto. Foto: Divulgação

Contra fatos não há argumentos que resistam. Se os fatos são técnicos, então, nem se fala. Após um certo debate político que recentemente contaminou os fundamentos da engenharia e da governança republicana, é preciso voltar para o mundo real e deixar claro que o túnel não compete com a ponte. Este é um falso dilema que serve apenas para atrasar o desenvolvimento da Baixada Santista e estender o debate por intermináveis anos.

Uma ponte ligando Santos e Guarujá é, neste momento, o projeto mais eficiente e mais rápido para atender a uma demanda centenária da população local e de todos os setores da economia que giram em torno do maior porto da América Latina.

Seu projeto executivo está pronto, atendeu a todas as demandas feitas pelo Porto de Santos – o maior da América Latina e por onde passa boa parte do PIB nacional – e depende única e exclusivamente de aval do Governo Federal. Suas obras, que já poderiam ter começado no ano passado, começam imediatamente após este aval.

Neste debate de falsos argumentos, é preciso esclarecer alguns aspectos vitais. O primeiro é que o Governo de SP defende realizar primeiro esta obra porque ela se viabiliza tanto econômica quanto administrativamente. A ponte Santos-Guarujá será bancada pela iniciativa privada e entra no contrato de concessão da Ecovias, responsável pelo sistema Anchieta-Imigrantes. Investir em um projeto viável economicamente se torna a melhor solução ainda mais nos tempos atuais com as dificuldades impostas pela pandemia.

Embora estudos do Simulador de Tanque de Provas, respeitado laboratório de engenharia naval da USP/Poli, provem não haver obstáculos à expansão do Porto no projeto da ponte Santos-Guarujá, alguns defensores do túnel afirmam que nenhum dos grandes portos do mundo possui ponte como rota de navegação.

Nada mais falso. O Canal do Panamá inaugurou no ano passado a Ponte Atlântico, a terceira no local. Trata-se da maior ponte do mundo construída em concreto, com 4,605 quilômetros de extensão e vão central de 530 metros – o projetado na Santos-Guarujá é de 750 m.

Em agosto deste ano, o ministro Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) reconheceu em uma webinar do Grupo a Tribuna o trabalho exaustivo do Governo de SP para adequar o projeto de engenharia às questões relacionadas à manobrabilidade do Porto de Santos. E deixou claro que não é contra a ponte, desde que essa manobrabilidade seja preservada. E o projeto da ligação seca vai garantir que não haverá obstáculos aos trabalhos e à expansão do Porto de Santos.

Há ainda outros dois pontos que devemos mencionar. Além de não ser contra o túnel, o Estado de SP concorda que ele possa ser realizado quando a situação econômica permitir. São soluções importantes para a mobilidade urbana e a logística nacional que só irão alavancar a qualidade de vida e a econômica da região.

No entanto, para um debate justo e coerente é preciso ser claro com a população. Além da questão financeira, há um outro ponto. Como o projeto prevê, o túnel não se localiza na ponta da praia. Vai ligar a região do Macuco, em Santos, à outra ponta, no Linhão, não sendo uma ligação tão rápida assim, pois os motoristas terão de enfrentar ao menos 30 minutos de trânsito do lado santistas e outra jornada similar do lado do Guarujá.

Vivemos num momento em que as discussões, as polêmicas e as bravatas querem se sobressair ao trabalho, ao planejamento e à responsabilidade financeira. Alimentar uma falsa disputa de ponte x túnel é torcer para que a ligação seca não saia do papel. É querer o “quanto pior, melhor”. Se querem alimentar uma disputa, é preciso não perder o foco de que quem perde, neste caso, é a população. É claro que a existência da ponte não inviabiliza o túnel. Nós temos que olhar para a frente e não ficar parados em jogos políticos. A população aguarda há anos por esse projeto e estamos prontos para iniciar essa importante obra. A hora é agora.

*João Octaviano Machado Neto, secretário estadual de Logística e Transportes

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