Fake Money ataca sonegação de R$ 5 bi

Fake Money ataca sonegação de R$ 5 bi

Operação integrada da Receita, Procuradoria e Polícia Federal aponta envolvimento de cerca de 3 mil contribuintes

Fausto Macedo e Julia Affonso

28 de setembro de 2018 | 08h38

Foto: Receita

A Receita, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal abriram nesta sexta-feira, 28, a Operação Fake Money contra um esquema que simulava quitação de tributos federais. A fraude envolve cerca de 3 mil contribuintes. A Receita estima que o rombo na arrecadação alcança R$ 5 bilhões.

Foto: Receita

Além do principal mentor do esquema, foram presos empresários, advogados, economistas, consultores e contabilistas que atuavam como intermediários e operadores da fraude. Dentre os bens bloqueados pela Justiça, encontram-se recursos financeiros, imóveis e veículos.

Os investigadores cumprem 16 mandados de prisão preventiva e 33 de busca e apreensão nas cidades de São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, São Paulo, Araraquara, Piracicaba, Barueri, Osasco, Descalvado, Itapecirica da Serra, Mirassolândia, em São Paulo, Curitiba e Uberlândia. Participam da operação 74 auditores-fiscais e dois analistas-tributários da Receita, além de equipe de apoio.

A empresa vendedora informava à compradora que dispunha de crédito financeiro junto à Secretaria do Tesouro Nacional, baseado em títulos públicos, e oferecia a falsa quitação de tributos com esses supostos créditos.

A fraude se dava por meio da inserção de informações falsas em declarações para reduzir ou eliminar ilegalmente as dívidas tributárias. A organização criminosa oferecia serviços de consultoria e assessoria tributária. Na maioria dos casos, a autorização para acesso aos sistemas era fornecida pelos próprios contribuintes aos fraudadores, seja por procuração ou pela entrega do certificado digital. Outras vezes, os próprios contribuintes eram orientados pelos fraudadores a promover as alterações de sistemas. Além disso, os fraudadores forjavam uma comprovação da quitação para seus clientes para convencê-los do sucesso da operação.

Na venda dos títulos podres existem aproximadamente 300 intermediários pessoas físicas e jurídicas, normalmente escritórios de advocacia, de consultoria/assessoria ou de contabilidade, espalhados pelos diversos estados do Brasil.

Para conseguir seu objetivo, o grupo fraudador se utilizava de vários artifícios e informações inverídicas, dentre elas a de que a STN validava a utilização de tais créditos para fins de quitação de tributos. Oferecia a seus clientes uma permanente assessoria jurídica e concedia um deságio na venda em média de 30% do valor devido do tributo.

Assim, para supostamente quitar um débito de R$ 1 milhão, as empresas adquirentes do crédito podre pagavam diretamente ao fraudador a quantia de R$ 700 mil, nada restando aos cofres públicos.
Ao adquirirem os supostos créditos com deságio, os contribuintes imaginam obter vantagem, porém, além do valor pago aos fraudadores, continuam com a dívida junto ao Fisco.

O nome da operação faz alusão aos imprestáveis e falsos créditos negociados para tentativa de pagamento de tributos. Tomando emprestado o termo Fake News, os investigadores o adotaram para rotular falsos pagamentos de Fake Money.

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