Fair-Play busca contratos do Itaquerão, Maracanã e Fonte Nova

Fair-Play busca contratos do Itaquerão, Maracanã e Fonte Nova

Operação deflagrada nesta sexta-feira, 14, mira em dez endereços da Odebrecht; segundo a PF, o objetivo é buscar custos das demais obras para fazer uma comparação de preços dos estádios da Copa

Redação

14 de agosto de 2015 | 13h49

Maracanã. Foto: Felipe Trueba/EFE

Maracanã. Foto: Felipe Trueba/EFE

Por Fábio Fabrini, Andreza Matais e Talita Fernandes

BRASÍLIA – Os mandados de busca em dez endereços da Odebrecht que estão sendo cumpridos nesta sexta-feira, 14, pela Operação Fair-Play, da Polícia Federal, tiveram como foco apreender planilhas de custo e contratos envolvendo a construção não apenas da Arena Pernambuco, mas também de outras três obras em estádios construídos ou reformados pela empreiteira: Itaquerão, Maracanã e Fonte Nova.

O alvo da operação, contudo, é a Arena Pernambuco. A PF explicou que foi buscar os custos das demais obras para fazer uma comparação de preços. Entretanto, se forem identificadas irregularidades também nos outros estádios, as investigações devem ser ampliadas.

Para Odebrecht, ação da PF na Operação Fair Play é ‘injustificável’

Quanto custará a Arena Pernambuco?

Um dos maiores incentivadores do Itaquerão foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é corintiano. Já fora do cargo, ele esteve presente na assinatura do contrato entre o Corinthians e a construtora Odebrecht em setembro de 2011. “Nós, graças da Deus, arrumamos um grupo de empresários que assinou um contrato agora e finalmente, além de ter o estádio, ele também receberá a abertura da Copa do Mundo de 2014”, disse Lula à época do contrato.

Lula foi um dos maiores incentivadores do Itaquerão. Foto: Márcio Fernandes/AE

Lula foi um dos maiores incentivadores do Itaquerão. Foto: Márcio Fernandes/AE

Com relação a Arena Pernambuco, há suspeitas, segundo os investigadores, de que uma organização criminosa foi montada para corromper agentes públicos com vistas a favorecer a construtora na licitação internacional para o empreendimento e viabilizar financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Os serviços foram pactuados com a empreiteira na gestão do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto num acidente aéreo em agosto do ano passado. O custo final da arena seria de cerca de R$ 700 milhões.

A construtora Odebrecht classificou as ações da Operação Fair-Play como “injustificáveis”. Por meio de nota, a empresa reconheceu que sua sede no Rio de Janeiro, e os escritórios de São Paulo, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Brasília são alvo de buscas e apreensões. Por meio de nota, a Odebrecht disse que “tem convicção da plena regularidade e legalidade do referido projeto. A CNO (Construtora Norberto Odebrecht) reafirma, a bem da transparência, que sempre esteve, assim como seus executivos, à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e apresentar documentos sempre que necessário”.

A empreiteira também é alvo da investigação Lava Jato. O presidente, Marcelo Odebrecht, esta preso em Curitiba preventivamente acusado de participar de esquema de cartel para ganhar obras na Petrobrás. A empresa também nega envolvimento nesse caso.

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