Fachin vê ‘concretos pontos de contato’ entre Temer e Loures com inquéritos contra Renan, Jucá, Jader e Cunha

No despacho em que separou Aécio Neves (PSDB/MG) da investigação contra presidente e deputado da mala dos R$ 500 mil, ministro do Supremo Tribunal Federal cita investigações em curso contra caciques do PMDB

Valmar Hupsel Filho, Breno Pires e Isadora Peron

30 de maio de 2017 | 19h03

Edson Fachin. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O ministro Edson Fachin, relator das ações da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, vê a existência de ‘concretos pontos de contato’ entre os supostos fatos atribuídos ao presidente Michel Temer no inquérito do qual é alvo e as investigações sobre formação de quadrilha e corrupção nas quais são investigados outros caciques do PMDB como os senadores Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Jader Barbalho (PA), além do deputado cassado Eduardo Cunha (RJ).

A ligação foi feita expressamente na decisão de Fachin, por meio da qual determinou a separação da investigação contra Temer e o ex-assessor e deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) do inquérito contra o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG).

Fachin cita os inquéritos 4326 e 4327, abertos em outubro de 2016 com base no conteúdo da delação premiada do ex-senador pelo PSDB, Sérgio Machado.

“Ao menos por ora é possível verificar, nos estreitos limites da cognição jurisdicional e na fase atual da persecutio criminis, a existência de concretos pontos de contato entre a investigação relacionada aos supostos fatos atribuídos a Michel Miguel Elias Temer Lulia e a Rodrigo Santos da Rocha Loures com o objeto dos Inquéritos 4.326 e 4.327, deflagrados para apurar a suposta atuação ilícita de membros do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) no âmbito do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, respectivamente, a recomendar a tramitação sob a mesma relatoria”, destacou o ministro.

O inquérito número 4.326 investiga a incidência dos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro supostamente praticados por senadores do PMDB e lobistas ligados a eles.

São investigados os senadores Edison Lobão (MA), Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR), Valdir Raupp (RO), Jader Barbalho (PA); os lobistas Milton Lyra e Jorge Luz, além do próprio Machado.

Já o inq 4.327 se refere às mesmas condutas criminosas supostamente praticadas por deputados, lobistas e operadores. Entre os investigados, além de Eduardo Cunha, estão os deputados Aníbal Gomes (PMDB-CE), Arnaldo Faria de Sá (PB-SP), Altineu Côrtes (PMDB-RJ), Manoel Júnior (PMDB-PB), André Moura (PSC-SE), Nelson Burnier (PMDB-RJ), além de Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado por investigadores da Lava Jato como operador do PMDB.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ANTÔNIO CLÁUDIO MARIZ DE OLIVEIRA, DEFENSOR DE MICHEL TEMER
O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, defensor do presidente Michel Temer, não comentou a informação que consta do despacho do ministro Edson Fachin.

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