Fachin manda tirar homem da mala da Papuda

Fachin manda tirar homem da mala da Papuda

Relator da Lava Jato no Supremo vê risco de vida para Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial do presidente Temer, e ordena sua transferência imediata para a carceragem da PF em Brasília

Fábio Serapião, Luiz Vassallo, Breno Pires e Julia Affonso

13 de junho de 2017 | 16h14

Rocha Loures. Foto: André Coelho/Agência O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Edson Fachin determinou, nesta terça-feira, 13, a remoção de Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), preso preventivamente no âmbito da Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato, do presídio da Papuda, em Brasília. O peemedebista será transferido para a carceragem da Polícia Federal. A defesa sustenta que, após a prisão, Loures recebeu ameaças e corre risco de vida.

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Rodrigo Rocha Loures é o homem de confiança do presidente Michel Temer flagrado, em ação controlada da Polícia Federal sobre executivos da JBS, recebendo uma mala de dinheiro de R$ 500 mil do diretor de Relações Institucionais da J&F, Ricardo Saud. Em áudio gravado por Joesley, em visita às escondidas no Palácio do Jaburu, Michel Temer indica Loures para ser seu interlocutor junto à empresa. O peemedebista afirmou, durante as gravações, que o empresário poderia tratar de qualquer assunto com o deputado.

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A defesa de Loures entrou com petição no STF pedindo a transferência sob o argumento de que o peemedebista estaria recebendo ameaças, segundo relata o ministro Fachin.

“Alega que, em 06 de junho de 2017, foi publicada uma matéria no Correio Brasiliense cujo título “Quanto Vale a Vida de Rodrigo Rocha Loures?” tem, na sua concepção, a “intenção de provocar e pressionar tanto o investigado como a sua família, deixando todos extremamente preocupados”. Ainda, em 08 de junho de 2017, o pai do requerente teria recebido uma ligação telefônica de um conhecido da família que lhe avisou estar o requerente correndo risco de vida caso não concordasse com a delação premiada”, anota o ministro do Supremo.

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Fachin considerou que, ainda que os fatos narrados pela petição não estejam ‘desde logo embasados em elementos probatórios que lhes dêem suporte’, ‘são graves o suficiente para que se dê ao menos notícia ao Ministério Público a quem incumbe, no âmbito de suas atribuições, deflagrar instrumentos voltados à respectiva apuração’.

“Até ulterior deliberação, determino a remoção do custodiado Rodrigo dos Santos da Rocha Loures para a carceragem da Polícia Federal, a quem incumbo as cautelas necessárias à preservação da integridade física do requerente”, conclui o ministro.