Fachin levará recursos a plenário ‘no tempo mais breve possível’

Fachin levará recursos a plenário ‘no tempo mais breve possível’

Ministro do Supremo Tribunal Federal informou na decisão em que negou prisão para Aécio e Loures que eventual recurso será rapidamente submetido ao colegiado

Breno Pires e Isadora Peron, de Brasília

22 de maio de 2017 | 21h49

Edson Fachin. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Questionada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), a decisão do ministro Edson Fachin que negou prender preventivamente e autorizou o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) também antecipou que “eventual recurso” será levado para julgamento do plenário do STF “no tempo mais breve possível”.

A PGR pede que o plenário da Corte reveja a decisão do ministro Fachin e determine a prisão preventiva dos dois parlamentares, alvos da Operação Patmos e investigados em inquérito aberto junto com o presidente Michel Temer com base nas delações dos executivos da holding J&F, detentora da JBS.

Antes de Fachin liberar para julgamento, no entanto, as defesas dos parlamentares afastados deverão ser ouvidas. Só então será encaminhada.

“Determino, desde logo, que o Gabinete proceda à inclusão incontinenti em pauta, à luz do calendário como definido pela Presidência, eventual recurso em face desta decisão, a fim de que, no tempo mais breve possível, seja ao exame e à deliberação do colegiado do Tribunal Pleno submetida a matéria em tela, assim que instruída, se necessário for, a irresignação recursal respectiva”, dissera Fachin na decisão do dia 17 de maio, em que negou prender os parlamentares mas determinou o afastamento deles de funções públicas.

 

Aécio Neves, Rodrigo Rocha Loures e o presidente Michel Temer são investigados por supostos crimes de corrupção passiva, constituição e participação em organização criminosa e obstrução a investigação. A defesa do presidente Temer chegou a pedir a suspensão do inquérito até que houvesse a perícia de áudios gravados pelo delator Joesley Batista e utilizados pelos investigadores, mas recuou nesta segunda-feira (22) — o que dispensa a necessidade de um julgamento sobre este tema específico.

COM A PALAVRA, AÉCIO

Em nota, a defesa do senador afastado Aécio Neves disse que aguarda ser intimada para apresentar suas contra-razões. Alberto Zacharias Toron , advogado do tucano, disse que “demonstrará a impropriedade e descabimento do pedido ministerial”.

O advogado de Aécio informou também que entrará nesta terça-feira (23) com um recurso contra a decisão monocrática do ministro Fachin. A defesa pedirá a revogacão das medidas cautelares impostas “por falta de base legal e constitucional”. Além do afastamento das funções públicas, Fachin determinou a “proibição de contatar outro investigado ou réu no conjunto dos feitos em tela”, a proibição de se ausentar do país e a entrega do passaporte.

COM A PALAVRA, ROCHA LOURES

A defesa de Rodrigo Rocha Loures, também em nota, afirmou que “não há qualquer motivo para a prisão do deputado”. “A defesa aguarda pelo STF a manutenção da decisão que negou o pedido do Ministério Público. O deputado, no momento oportuno, irá prestar todos os esclarecimentos devidos”, disse José Luis Oliveira Lima, que representa o parlamentar afastado.

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